Me lembro como se fosse ontem o dia em que conheci a livraria El Ateneo, em Buenos Aires. Estava caminhando pela Av. Santa Fe, uma das principais vias da cidade, quando enfim encontrei o letreiro desse paraíso literário, no número 1860. O que eu realmente não esperava é que iria me apaixonar tanto por um lugar tão longe de casa.

Quando coloquei meus pés na loja, no bairro Recoleta, as caixas de som começaram a tocar a música Bloom, do Radiohead, que serviu de pano de fundo para abrilhantar ainda mais os meus olhos. Caminhando entre as prateleiras, parei só para admirar o visual. Para a minha sorte, a canção até hoje me leva instantaneamente para a livraria toda a vez que a ouço.

Esse lugar é mágico e não à toa está entre as livrarias mais belas do mundo. Meu fascínio nasce pela arquitetura do século 20, período em que foi fundado para sediar uma Catedral de Artes Cênicas – o Teatro Grand Spendid, o que justifica a cúpula pintada por Nazareno Orandi e a cortina de veludo entreaberta no palco central, onde hoje funciona um bar, mas que no passado acolheu grandes artistas argentinos como Carlos Gardel e Roberto Firpo.

Tudo isso só aconteceu porque o austríaco Max Glucksmann chegou a Buenos Aires em 1890 e se envolveu na Casa Lepage, que importava material fotográfico, até virar dono do estabelecimento. Junto com ele trabalhou o francês Eugène Py, o primeiro cineasta argentino. A dupla passou a investir em cinema, abriu salas de exibição em países vizinhos, até que em 1919, Glucksmann construiu o Ateneo, um dos maiores legados que poderia deixar.

Entre esculturas de Troiano Troiani, pequenas salas de leitura e detalhes dourados da decoração, estão 120 mil títulos, o que a torna a maior e mais diversa livraria de Buenos Aires. No subsolo há uma ala dedicada aos livros infantis. É uma das paradas obrigatórias na cidade e o melhor: o passeio é gratuito.

Partiu, Buenos Aires!

Aproveite o dia para fazer a melhor excursão a pé da cidade!

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Post por Brunella Nunes
Fotos: divulgação e © Marco Cavalheiro; destaque: © Ryan Poole

Quando não está viajando pelo mundo, está viajando nas ideias.

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