Atualização: texto publicado originalmente em 5 de março e atualizado, reformulado e ampliado para refletir a situação do Coronavírus na Europa no dia 23 de março.

O Coronavírus saiu da Ásia e fincou pé na Europa desde fevereiro. A Itália foi a primeira a fechar cidades inteiras, enquanto nada menos do que 700 turistas ficaram confinados em um hotel em Tenerife, na Espanha, graças à suspeita da doença.

Os casos se multiplicaram, Itália e Espanha declararam quarentena oficial e as medidas de segurança foram se espalhando por todo o continente. Desde o dia 16 de março, a Comissão Europeia decretou que nenhum estrangeiro terá permissão para entrar em 31 países da região durante um mês.

São abertas exceções apenas ao ingresso de cidadãos europeus, pessoas que sejam residentes em algum dos países e os seus familiares diretos, bem como profissionais de saúde, transporte, diplomatas, cientistas ou em casos considerados de emergência. As informações são da Folha de S. Paulo.

Evolução do Coronavírus na Europa

Quando a primeira versão deste texto foi publicada, o Ministério da Saúde brasileiro não indicava explicitamente o cancelamento de viagens para Europa, apenas recomendava que visitas à China fossem realizadas somente “em casos de extrema necessidade”.

O Ministério monitorava então 16 países para casos suspeitos do Coronavírus: Alemanha, Austrália, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, França, Irã, Itália, Malásia, Camboja, China, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Japão, Singapura, Tailândia e Vietnã.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou, no dia 12 de fevereiro, um vídeo em que informava que não havia necessidade de cancelamento de viagens, divulgado no texto original que havíamos publicado.

Na época, o risco de ser contaminado pelo vírus ainda era baixo fora da China, visto que 95% dos casos se concentravam no país, a maioria deles na província de Hubei. Atualmente, o número de mortos na Itália devido ao Coronavírus já ultrapassou o registrado na China e há mais infectados na Europa do que houve no país asiático.

Tudo isso parece ter acontecido há séculos, mas faz cerca de um mês. Até mesmo Drauzio Varella, entidade número um em saúde para os brasileiros, retrocedeu e explica que agora é sim hora de cancelar a vida normal.

“Todo cuidado nesse momento é pouco”, lembra o médico em um vídeo em bom português.

Coronavírus e viagens

Sejamos sinceros: você não vai viajar para a Europa tão cedo. É triste dizer isso, ainda mais para quem trabalha com turismo, mas a saúde deve vir sempre em primeiro lugar.

No momento, a expectativa é de que a pandemia do Coronavírus permaneça alterando a rotina ao redor do mundo por meses. A maioria das companhias aéreas brasileiras já oferece a possibilidade de alterar ou cancelar voos marcados até setembro.

É um momento de incerteza e tudo pode mudar em questão de dias. Por enquanto, a comunidade científica acredita que uma vacina vá demorar pelo menos um ano para ser desenvolvida.

Quem explica esse cenário é o novo pop star da internet, o biólogo Átila Lamarino.

O vídeo abaixo não é recomendado para quem está vivendo um momento de muita ansiedade, combinado?

Países com fronteiras restritas devido ao Coronavírus

Foram aplicadas restrições de viagens não essenciais em todos os países do Espaço Schengen devido ao forte surto de Coronavírus na Europa.

Essa restrição é válida por 30 dias, mas a União Europeia estuda a possibilidade de estender esse período, se necessário. Diversos outros países fora do continente também adotaram medidas similares nos últimos dias, incluindo Argentina, Chile, Peru e Colômbia.

A partir de hoje, o Brasil passa a limitar a entrada de estrangeiros vindos da Ásia e da Europa, embora ainda permita o ingresso de pessoas vindas dos Estados Unidos, um dos países mais afetados pelo Coronavírus no momento.

Brasileiros que estão em países que sofrem restrições de viagem poderão solicitar auxílio ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Confira as informações oficiais no site do Itamaraty.

Como cancelar a viagem?

Não interessa se você está viajando para um país com ou sem restrições de mobilidade devido ao Coronavírus. Está oficialmente na hora de cancelar ou adiar a sua viagem.

O único conselho válido nessa hora é: fique em casa.

A maioria das companhias aéreas já está disponibilizando páginas especiais para cancelamento ou alteração de passagens. As regras funcionam apenas para passagens adquiridas diretamente com as empresas aéreas.

Voos reservados com terceiros devem ser alterados diretamente com a empresa (por exemplo; Decolar, Submarino, Viajanet, etc).

Na última sexta-feira, 20, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), o Ministério Público Federal (MPF) e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta para garantir os direitos dos compradores durante a pandemia de Coronavírus.

Veja o que estabelece esse documento, segundo divulgado pela Panrotas:

  • O passageiro pode remarcar sem custo as suas passagens adquiridas antes do dia 20 de março uma única vez;
  • A regra vale para voos entre 1º de março e 30 de junho, respeitando a mesma origem e destino;
  • Passagens marcadas para a baixa temporada devem ser remarcadas para a mesma época, ou poderá incidir cobrança de diferença tarifária em caso de viagens realizadas nos meses de julho, dezembro, janeiro ou em feriados (alta temporada);
  • Passagens para alta temporada podem ser remarcadas para qualquer época do ano sem custos, desde que respeitada a validade do bilhete;
  • Pode ser realizada a troca de destinos. Nesse caso, é possível que incida cobrança de diferença tarifária;
  • As mesmas regras valem para cancelamentos, caso o cliente opte por manter o valor da passagem como crédito para viagens futuras. O valor deve ser mantido como crédito pelo período de um ano;
  • Ao solicitar o reembolso, este deverá ser feito sem multas ou correção monetária, mas pode demorar até 12 meses após a solicitação.

Isso é um resumo do que está escrito no Termo de Ajustamento de Conduta. É o mínimo que um viajante deveria esperar em relação aos cancelamentos ou alterações de passagens no Brasil.

Algumas companhias aéreas se manifestaram, informando as suas próprias regras:

  • Alitalia: é possível alterar ou cancelar passagens compradas antes de 3 de abril para voar entre 23 de fevereiro e 31 de maio. A nova viagem deve ocorrer antes de 31 de dezembro em caso de alterações ou ser trocada por um vale com validade de 1 ano. Informações aqui.
  • Air Europa: todos os voos adquiridos antes de 11 de março para voar entre 15 de março e 30 de abril podem ser cancelados ou remarcados para datas até 15 de junho pagando apenas a diferença tarifária, quando houver. É possível solicitar um voucher no mesmo valor da passagem para ser usado em qualquer rota operada pela empresa, com validade de um ano. Informações aqui.
  • Air France: passagens para voar até 31 de maio poderão ser alteradas sem custos até 30 de setembro para viajar até 30 de novembro. Também é possível solicitar um voucher não reembolsável com validade de 1 ano a ser usado na Air France, KLM, Delta Air Lines ou Virgin Atlantic. Informações aqui (em inglês).
  • Azul: voos comprados até 20 de março para viajar até 30 de junho podem ser cancelados ou alterados uma vez, sem taxas, com possível cobrança de diferença tarifária. Também é permitido o reembolso em até 12 meses ou solicitação de vale com validade de 12 meses no valor integral da passagem. Informações aqui.
  • British Airways: as taxas de alteração foram removidas para todos os voos reservados para viagens até 31 de maio. Informações aqui.
  • Gol: voos com datas até 30 de setembro podem ser cancelados e o valor será disponibilizado como crédito em viagens futuras, válido por um ano; ou remarcados para qualquer período dentro de 330 dias desde a data da compra. Para reembolso, pode ser cobrada taxa, de acordo com a tarifa. Informações aqui.
  • Iberia: voos entre 1º de março e 30 de abril podem ser trocados por um voucher no valor integral da passagem, que será válido até 21 de março de 2021. Informações aqui (em inglês).
  • KLM: voos podem ser remarcados ou cancelados online até 30 de setembro. Informações aqui (em inglês).
  • Latam: permite remarcação ou cancelamento de voos marcados para qualquer data até 31 de dezembro que sejam realizados dentro ou para um país que tenha fechado as suas fronteiras ou declarado estado de emergência. Informações aqui.

Todas as empresas estão enfrentando uma alta demanda de solicitações de cancelamentos ou alterações. Portanto, é recomendado entrar em contato apenas quando a data da viagem estiver próxima.

A maioria das companhias aéreas sugerem que o contato seja feito nas 72 horas que antecedam o voo.

O que o seguro viagem cobre?

Empresas como Global Travel Assistance (GTA), Assist Card e Travel Ace se manifestaram informando que irão cobrir o atendimento inicial em caso de suspeita de Coronavírus.

Desde que a OMS declarou o Coronavírus como pandemia, no dia 14 de março, as empresas não são mais obrigadas a oferecer cobertura em caso de contágios confirmados.

coronavírus
Foto: tam wai

Como o vírus se alastra rapidamente, é impossível prever o que acontecerá nos próximos dias.

Vivemos um momento de incerteza. Portanto, tenha em conta que todas as informações publicadas nesta página estão sujeitas a alterações a qualquer momento.