Quem afirma que São Paulo é uma cidade cinza, nunca pisou no Viveiro Manequinho Lopes durante a Primavera. O oásis florido é, de fato, ainda pouco conhecido pelos paulistanos em comparação ao gigante Parque Ibirapuera, onde fica. Ali são produzidas herbáceas e arbustivas para abastecer as demais áreas verdes da capital, na ativa desde o ano 1916.

Na época, quem atuava como o primeiro prefeito de São Paulo era Antonio Prado, que entre seu longínquo mandato, de 1899 a 1911, procurou implantar o plano americano de ajardinamento na cidade, inspirado no que ele havia visto em viagens para a Europa.

Quatro anos após a sua saída, a prefeitura comprou o terreno, antiga várzea tupi Ypy-ra-ouêra, onde hoje é o Parque Ibirapuera, o mais emblemático da metrópole, ocupando 4,8 hectares. Porém, foi só em 1928 que o Viveiro Manequinho Lopes ganhou tal função, com a transferência do antigo viveiro da Água Branca para lá.

Viveiro Manequinho Lopes

Foto: Brunella Nunes
Foto: Brunella Nunes

O primeiro administrador foi o jornalista e entomologista Manuel Lopes de Oliveira, apelidado de Manequinho, que colaborou bastante com o meio ambiente da cidade. Por conta do trabalho dele, o viveiro resistiu à ameaça de remoção e chegou a ser considerado o maior e mais variado da América do Sul.

Assim nasceu o local que mantém coleções vivas de mais de 200 espécies em seu acervo, sendo 10 estufas, 97 canteiros suspensos, 39 quadras de matrizes e mudas em vaso e 3 telados, estruturas cobertas com tela de sombreamento. Em 1993, durante sua restauração, o viveiro ganhou ainda fôlego, quando o famoso paisagista Roberto Burle Marx renovou o projeto paisagístico.

É dali que saem, até hoje, as árvores, arbustos e vasos de flores para deixar São Paulo mais verde e florida, seja antes, durante ou depois da Primavera. Também serve como centro de pesquisa e aprimoramento de produção de plantas. A população também pode retirar mudas gratuitamente no local, desde que peçam a alguém da equipe, é claro.

Foto: Brunella Nunes

O viveiro Manequinho Lopes produz cerca de 67.000 mudas mensalmente

Foto: Brunella Nunes

Num passeio é guiado, é possível percorrer entre os canteiros, se aproximar de árvores nativas como o Pau-ferro, o Ipê e o Pau-Brasil, além de ver de perto algumas PANC, plantas alimentícias não convencionais, aquelas que até ontem eram chamadas apenas de “ervas daninhas”. Pois bem, boa parte delas possuem valores nutricionais e homeopáticos, além de sabores curiosos.

Uma das mais interessantes é a “uva-do-japão“, que lembra demais uma uva passa. No solo também brota serralha, ora-pro-nobis, capuchinha e peixinho da horta, uma planta que parece de pelúcia e empanada pode lembrar o lambari.

Foto: Brunella Nunes

Entre os tipos medicinais, destaque para a mil folhas, ou novalgina, como ficou conhecida. São várias as suas funções para a saúde, pois auxilia no tratamento de pressão alta, cólicas, gastrite e, como propõe o apelido, combate as dores de cabeça. Para consumi-la, é necessário fazer uma infusão da planta na água quente. Mas atenção: é contraindicada para grávidas e mulheres em período de amamentação.

Foto: Brunella Nunes

Nos canteiros floridos, o encantamento é outro. As cores se misturam e você não sabe bem para onde olhar. As papoulas vermelhas reluzem sob a luz do sol, enquanto o tom da Azulzinha justificam seu nome popular. São tantos tipos, que é difícil decorar o nome de todas. Entre as plantas, fica fácil reconhecer a espada-de-São-Jorge e a Costela de Adão, cultivadas em casa por bastante gente.

Foto: Brunella Nunes
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Como visitar o Viveiro Manequinho Lopes

Infelizmente o viveiro não abre aos finais de semana. Fica aberto para a população de segunda a sexta-feira, das 08h às 16h. Existe ainda o Programa de Visitação Monitorada, chamado Aventura Ambiental, destinado para grupos de 10 a 40 pessoas. É grátis, inclusive o estacionamento no próprio viveiro.

É uma visita educativa de aproximadamente 2h30, bem bacana e rica em informações. As turmas podem ser de manhã ou a tarde, mas sempre durante a semana. Nesse caso, é necessário preencher um formulário de inscrição.

O ideal é que você fique de olho na programação do UMAPAZ, que oferece cursos regulares de Jardinagem, Hortas, Orquídeas, Recursos Paisagísticos e atividades de curta duração como palestras, oficinas, trilhas e minicursos. É por lá que podem surgir oportunidades de visitas temáticas, como a das Plantas Alimentícias Não Convencionais, que foi a qual eu participei.

A entrada é sempre gratuita, inclusive nos passeios guiados. Para maiores informações, ligue: (11) 3887–6761 ou 5908–3848

Foto: Brunella Nunes

Como chegar

Viveiro Manequinho Lopes tem avesso direto pelo portão 7A do Parque do Ibirapuera, na Av. Quarto Centenário, 1288 - Ibirapuera. As estações de metrô mais próximas são Moema e AACD-Servidor, ambas da linha lilás. Em todo caso, é preciso fazer ainda uma caminhada até o parque ou pegar um ônibus ou uber.

De ônibus, há inúmeras opções de acesso, que param na porta do parque, como as linhas 477U-10, 5154–10, 5318–22, 5611–10 e 647C-10.

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Foto: Brunella Nunes
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No interior de São Paulo, Jardim Botânico Plantarum tem o maior acervo da América Latina

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