Sabia que boa parte da base artística brasileira foi moldada pelos franceses em nível acadêmico, no mesmo local do Museu de Belas Artes do RJ? Tal fato ajuda a justificar tamanha qualidade de grandes artistas tupiniquins, que embora não sejam tão conhecidos como Da Vinci e Picasso, seguem forrando as paredes dos museus, seja aqui ou mundo afora.

O edifício de arquitetura eclética, localizado no Centro da cidade, foi projetado em 1908 para abrigar a Escola Nacional de Belas Artes, que trouxe à tona toda a construção e desconstrução da técnica neoclássica vinda da França através dos imigrantes em expedição no Brasil. Foi ali que começou o ensino de artes plásticas no país e, portanto, era bem cobiçada.

Esse movimento foi batizado de Missão Artística Francesa e tinha entre seus membros pessoas brilhantes como Nicolas-Antoine Taunay, Jean-Batiste Debret, Grandjean de Montigny, Charles Pradier e os irmãos Ferrez.

Em 1937 passou a englobar o Museu de Belas Artes, até que, em 1976, a escola foi transferida para a ilha do Fundão e a partir de 2003, após tombamento como patrimônio, passou a funcionar apenas como museu.

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Foto: divulgação/MNBA-RJ

Museu de Belas Artes do RJ

Prestes a completar 80 anos de vida, o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro segue de portas abertas para a população, propagando cultura e conhecimento. Não que seja necessário motivos para visita-lo, mas reunimos alguns pontos para te convencer!

Foto: Jaime Acioli

O acervo é único e extremamente importante

Nas instalações de 17 mil metros quadrados do Museu de Belas Artes se encontra a maior e mais importante coleção de arte brasileira do século XIX, concentrando um acervo de 70 mil itens entre pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, objetos, documentos e livros.

Várias peças da corte portuguesa foram parar neste acervo, assim como obras mais contemporâneas, dando um panorama geral das artes plásticas brasileiras, de seu início à atualidade. Reúne ainda fotografias, arte estrangeira e itens preciosos da arte africana.

“Lea e Maura”, de Alberto Guinard
Primeira Missa no Brasil, por Cândido Portinari

Entender a qualidade da arte brasileira

Conhecer os artistas brasileiros nos faz enxergar a qualidade da arte que temos no país e, a partir disso, valorizá-la mais. Não temos um Louvre, mas temos muitas obras dignas de um espaço assim. É preciso saber quem foram os irmãos Bernardelli, Pedro Américo, Antônio Parreiras, Rodolfo Amoedo e Almeida Júnior, só para citar alguns. Obras de Eliseu Visconti, um dos precursores do Impressionismo no Brasil, também estão expostas.

A obra “A Primeira Missa do Brasil”, de Vitor Meireles, foi pintada em 1860 e se destacou como a primeira obra de um artista brasileiro a ser aceita no Salão de Paris, o mais consagrado e restrito da época. Hoje se encontra no Museu de Belas Artes.

Obra de Rodolfo Amoedo

Resgatar e reconhecer as mulheres artistas

Você pode até saber quem foi Tarsila do Amaral – e ainda bem! – mas sabe quem é Wanda Pimentel? E Djanira da Motta e Silva? Georgina de Albuquerque, te lembra alguém?

Pois bem. Essas são apenas algumas das mulheres artistas brasileiras que estão no Museu de Belas Artes. Anna Bella Geiger mandava bem na gravura. A pintora, escultora e desenhista Angelina Agostini foi premiada aos 24 anos com a tela “Vaidade”, ganhando assim uma viagem à Europa, onde se estabeleceu. Quarenta anos depois, ganhou medalha de ouro no Salão Nacional de Belas Artes.

“Vaidade”, de Angelina Agostini
O Circo, de Djanira

Apreciar técnicas e estilos de diferentes épocas

Ao entrar num museu deste porte, saiba que o aprendizado chegará a você até por osmose. Mesmo se o visitante for menos atento, dificilmente ele não notará as diferentes técnicas que compõem o acervo. A arte teve vários estilos ao longo da história e cada artista tem um traço único. Arte neoclássica, barroca, abstrata, expressionista, realista, impressionista, moderna, contemporânea…são muitas num lugar só.

Analisar cada uma de suas características e ir tentando reconhecê-las no quadro pode ser divertido. Teste a sua mente!

Natureza Morta, de Maria Leontina
Obra de Gilvan Samico, mestre em xilogravura

Se aprofundar na cultura africana

Uma coleção de mais de 100 itens africanos compõe uma das áreas temáticas do Museu de Belas Artes. Pertenciam, em grande parte, ao diplomata Gasparino da Mata e Silva. Em adornos e objetos é possível enxergar parte do legado africano que compõe o Brasil, com peças representando as culturas Ashanti, Baulê, Senufo e Yorubá.

Relacionar arte e realidade

O que será que a arte quer nos dizer? Há uma mensagem em cada obra? O que ela representava na época em que foi feita e o que representa hoje? A arte é questionadora por si só. Mas ao analisar as obras históricas, temos um recorte histórico do país. De como a sociedade se organizava, como se comportava e até mesmo como nos enxergavam no exterior. Grande parte das obras do início do século 19 retratava o Brasil como um país exótico, tropical e selvagem. Será que ainda nos veem assim, como a 100 anos atrás?

Na polêmica obra de “Redenção de Cã”, de Modesto Brocos, vemos uma família em 1895. A origem é aparentemente humilde. Uma senhora ergue as mãos para o céu no que seria um agradecimento. A mãe da criança a observa e aponta, enquanto o pai sorri levemente. Segundo a leitura crítica, existe um debate racial na imagem.

Perceba que cada membro presente é de uma cor diferente. Nada é por acaso. A família parece “aliviada” de ter dado à luz a uma criança mais clara do que retinta, um trauma deixado pelo legado escravocrata. O racismo, velado ou escancarado, ainda segue enraizado na sociedade.

Para que a história não se repita

Quando a tragédia do Museu Nacional (UFRJ) foi anunciada, o Brasil parou para ver um bocado de seu patrimônio histórico e cultural literalmente virar pó. Ardendo em chamas, a cena do desastre marcou a memória, especialmente daqueles que ainda não tinham colocado os pés dentro do museu. As que fizeram isso, hoje são consideradas pessoas de sorte, privilegiadas.

Para não passar mais por tal amargura, não dê mais chances ao erro. Estando no Rio, visite o Museu de Belas Artes e prestigie o trabalho de toda a equipe envolvida. Leve consigo a vontade de lutar por este lugar, de querer que todos visitem e valorizem a nossa cultura. Antes tarde do que nunca. E, especialmente, antes que seja tarde demais.

Belmiro de Almeida
Obra de Almeida Júnior

Serviço

O Museu Nacional de Belas Artes fica na Avenida Rio Branco, 199 – Cinelândia. De transporte público,  o acesso é pelas linhas de metrô L1+L4 ou L2; de ônibus: 104 – TRO4, 321, 323, 342; de trem: ramal Belford Roxo.

Horário de Funcionamento: Terça a sexta-feira das 10 às 18hs; Sábados, domingos e feriados das 13 às 18 horas.

Quanto custa

Ingressos: R$ 8,00 e meia: R$ 4,00 e ingresso família (para até 4 membros de uma mesma família) a R$ 8,00. Venda de ingressos e entrada de visitantes até 30 min antes do fechamento do Museu. GRÁTIS AOS DOMINGOS.

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Obra de 1978 em papel, por Gregório Gruber
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Foto: divulgação/MNBA-RJ
Foto: divulgação/MNBA-RJ

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