Nove anos de espera se passaram para quem sonha em visitar o Museu do Ipiranga, em São Paulo. Fechado às pressas em 2013, um dos espaços culturais mais importantes do país aproveitou uma rachadura no subsolo para fazer uma grande reforma, com direito a restauro, ampliação e modernização. Em setembro de 2022, o espaço irá finalmente reabrir e o Quanto Custa Viajar reuniu tudo o que você precisa saber antes de chegar lá na porta.

Sob os cuidados da USP, o antigo Museu Paulista – como era chamado – foi erguido em 1895 já com a função de ser um monumento e não um palácio real, ao contrário do que muita gente imagina. Embora o imperador D. Pedro I tenha dado o grito da independência a bordo de sua mula às margens do riacho Ipiranga, em 7 de setembro de 1822, nem ele e nem sua família chegou a morar neste local histórico.

A função de museu é antiga, mas o público pode esperar por algumas novidades a partir de agora. Depois de um projeto orçado em mais de R$ 200 milhões, captado via leis de incentivo e patrocinadores, o Museu do Ipiranga voltará a ativa com áreas e exposições novas, peças do acervo e edifício restaurado, algumas doses de tecnologia e um jardim francês com fontes reluzentes.

Confira abaixo alguns destaques e informações cruciais sobre este passeio.

Nem tudo está pronto

Sim, é isso mesmo que você leu. Passada quase uma década de museu fechado, chega a ser frustrante saber que nem tudo estará como deveria. Faltando poucos dias para a reabertura, o local ainda está em organização, realizando obras, montando salas expositivas e finalizando parte de suas alas. Em uma visita realizada pela equipe no dia 01 de setembro, pudemos constatar os trabalhadores em ritmo acelerado por todos os lados, para tentar cumprir os já atrasados prazos.

Até o final do ano, o museu deverá definir quem vai operar a parte gastronômica das instalações novas: restaurante, cafeteria e loja de souvenir, que não estarão prontas por enquanto. Além disso, duas novas fontes no jardim francês, recuperadas do projeto paisagístico da década de 20, ainda estão com escavação aberta.

Foto: Brunella Nunes/QCV

Quais são as novidades?

A área ampliada ocupa tanto o subsolo do edifício quanto seu topo. O público poderá acessar o local por duas novas entradas, feitas na altura do jardim, onde se encontrará a bilheteria, um anfiteatro, uma sala de exposições temporárias e, futuramente, a cafeteria e loja de souvenires. Por uma escada rolante é possível chegar ao primeiro piso, que recebe os visitantes com a impactante escadaria monumental.

Para além do segundo andar, há uma nova área expositiva em um espaço entre as duas torres (do lado direito e esquerdo) e um grande mirante no topo do prédio, de onde se avista as terras ipiranguistas, a Serra da Cantareira e bairros adjacentes, como Mooca e até a Av. Paulista.

No jardim, haverá espaço para food bikes e um restaurante onde ficava a antiga administração do Parque da Independência, localizado logo em frente. Também foi colocado um bicicletário e um estacionamento destinado para pessoas com necessidades especiais.

Além de mudanças estruturais, o museu investiu em itens fundamentais para a sua preservação, como um sistema híbrido de circulação de ar, novos aparatos de prevenção de incêndios e um sistema inteligente para gerenciar sua segurança e manutenção e a conservação de seu acervo.

Foto: Brunella Nunes/QCV

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Acessibilidade e interação

Um dos investimentos mais importantes foi em acessibilidade, com a instalação de elevadores, banheiros adaptados, piso tátil, orientações em Braile, audiodescrição nos itens expositivos, painéis digitais e interativos com informações e curiosidades sobre as obras, além de peças táteis que facilitam o entendimento do acervo para pessoas com baixa ou nenhuma visão.

O museu apostou minimamente em partes interativas dentro das exposições, incluindo gavetas que o público pode puxar e conferir novos itens ou até mesmo tocá-los, quando há sinalização.

Foto: Brunella Nunes/QCV

Quais são as exposições

O Museu do Ipiranga tem um acervo gigantesco: são 450 mil itens coletados ao longo dos anos. Destes, 3,5 mil foram restaurados para estarem nas 11 exposições que percorrem todo o edifício. A visitação é autoguiada, mas segundo a historiadora e curadora Solange Ferraz de Lima, a sugestão é começar pela exposição “Para Entender o Museu: exposição introdutória sobre o eixo”, dedicada a falar sobre a construção do museu como um todo, unindo desde peças relacionadas à história natural, até itens encontrados nas escavações das obras recentes.

Em “Passados Imaginados” o público encontra uma enorme maquete que remonta São Paulo de 1841, feita em gesso. Já “Territórios em Disputa” deixa o lado tipicamente pacifista das representações de lado para abordar a colonização de uma terra indígena por meio de objetos dos séculos 16 e 17.

Foto: Fábio Feltrin/QCV

Antes de subir as escadas, no hall, convém ler os painéis informativos da mostra “Uma História do Brasil”, que reúne itens relacionados à Independência do Brasil e seus processos, antes de chegar ao Salão Nobre, espaço conhecido por destacar figuras e telas artísticas importantes como D. Pedro I, a Imperatriz Leopoldina, e a soldado Maria Quitéria. É nessa sala que fica o famoso quadro “Independência ou Morte”, de Pedro Américo.

Nas escadas, vale a pena admirar as 18 ânforas de cristal com águas de rios brasileiros.

A sala “Mundos do Trabalho” está entre as mais interessantes do museu, com destaque para a classe trabalhadora que ergueu o país, como pessoas negras escravizadas, indígenas, imigrantes e homens livres em papéis de protagonistas. Há telas belíssimas de Antonio Ferrigno e peças que pertenceram a Santos Dumont.

O tour inclui ainda as mostras “Casas e Coisas”, “Comunicar: louças”, “Conservar: brinquedos”, “Catalogar: moedas e medalhas”, “Coletar: imagens e objetos”, “A Cidade Vista de Cima” e, por fim, “Memórias da Independência”, a 12ª exposição, que fica pronta apenas em novembro.

Foto: Fábio Feltrin/QCV

Um mirante de dar inveja

Esta talvez será a área mais disputada do museu: o mirante terá visão privilegiada para a colina histórica do Ipiranga, que tem em seu horizonte o bonito contorno da Serra da Cantareira.

Nos 360º que disponibiliza aos visitantes na torra central, há chances de ter finais de tarde memoráveis nas alturas. Mas, enquanto o museu estiver em abertura inicial, também não dará acesso ao espaço.

Foto: Fábio Savino

O retorno das fontes

Mesmo antes do Museu do Ipiranga fechar para reforma, as fontes já estavam desativadas e vazias. A imagem outrora triste ganhou outra vida a partir da instalação de novos circuitos e jatos d’água, que tornam a paisagem do jardim e do edifício muito mais sedutora. Os ornamentos foram restaurados e um jogo de luzes coloridas irão dar outros tons às noites no Ipiranga.

O jardim francês conta com árvores topiárias, pinheiros, palmeiras, roseiras, azaleias e uma alameda repleta de jaqueiras nas laterais. O paisagismo inspirado no parisiense Palácio de Versalhes recuperou todo o seu brilho.

Foto: Fábio Feltrin/QCV

Quando reabre ao público?

Ao longo dos anos, foi prometida a reabertura do Museu do Ipiranga no dia 7 de setembro de 2022. Porém, dadas as proporções políticas acaloradas do momento, a data ficou reservada apenas aos mais de 400 trabalhadores das obras e suas famílias, além de alunos selecionadas da rede pública de ensino.

Assim sendo, a reabertura ao público será a partir do dia 08 de setembro, mediante agendamento e apresentação do ingresso. Ou seja, não será possível entrar no edifício sem apresentar o ticket virtual.

Dias de funcionamento do museu: de terça a domingo. Horários (válidos para setembro): de 8 a 11 de setembro, das 11h às 16h. Depois, das 12h às 18h.

Foto: Fábio Feltrin/QCV

Gratuidade por dois meses

Por meio de uma franquia, o museu irá disponibilizar ingressos gratuitos a todos durante dois meses, distribuídos on-line a partir do dia 05 de setembro, até o dia 06 de novembro. Dada a indefinição com relação à venda de ingressos, ainda não será possível se programar para visitar o prédio em datas que vão além do período com entrada franca.

Onde adquirir os ingressos?

Mesmo gratuitos, os ingressos devem ser adquiridos por meio da plataforma oficial do museu, no site: www.museudoipiranga.org.br. A plataforma estará disponível no dia 05 de setembro, às 10h.

A distribuição acontece em lotes semanais, sempre às sextas-feiras, às 10h. Ou seja, não adianta entrar no site em qualquer outro dia/horário, que não haverá como pegar ingressos, ok?

Foto: Fábio Feltrin/QCV

Onde fica?

O Museu do Ipiranga fica na Rua dos Patriotas, nº 100 – Ipiranga, São Paulo. O bairro conta com três estações de metrô, todas na linha verde: Santos-Imigrantes, Alto do Ipiranga e Sacomã. Todas ficam a aproximadamente 2 km de distância do edifício. Tanto na Av. Nazaré quanto na rua Bom Pastor, que abraçam o museu, há linhas de ônibus disponíveis.

Onde se hospedar?

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Foto: Fábio Feltrin/QCV

4 comentários

  1. Parabéns pela reportagem e esclarecimentos a respeito deste maravilhoso Museu q esta lindo e modernizado. Parabéns SP/USP, Parabéns Br.

  2. Quero ingresso pra visitar o museo já entrei no sati está esgotada moro perto e não consigo ingresso por gentileza onde conseguir

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