Já ouviu falar em terroir missioneiro na produção de vinhos? A vinícola Malgarim, no Rio Grande do Sul, faz uso das tradições e da terra cultivada antigamente por jesuítas para plantar videiras, se destacando pelos vinhos semelhantes aos tempranilos espanhóis.

Foi em 1870 que Dom Augusto Malgarim iniciou o cultivo de uvas na região da Quarta Colônia, fronteira com a Argentina, ocupada por missões jesuítas vindas da Espanha. Na época, ele foi pioneiro no estado, visto que antes o solo fértil e o clima eram utilizados apenas para a cultura de arroz.

Já na década de 70, ou seja, 100 anos depois, o historiador suíço Clóvis Lugon indicou em suas pesquisas que, neste local, eram produzidos bons vinhos no século 19. Os conflitos por território na época resultaram no fim do povoado e, consequentemente, de sua produção.

Foto: divulgação

Vinícola Malgarim

Muitos anos se passaram até que a mesma família se instalou na Quinta do Sino, em São Borja, abrindo as portas da vinícola Malgarim, em 2001. Resgatando o legado do avô Dom Augusto, os vinhateiros Sérgio e Daniel Malgarim, bisneto e tataraneto do imigrante italiano, estão à frente da empresa.

Distribuídas em três hectares, as mudas importadas da França se adaptaram, resultando em vinhos Merlot, Cabernet Franc, Tempranillo e Riesling. Em janeiro se dá início à vindima, a farta colheita de uvas que vão para a fermentação em pequenas pipas. Ao todo, são produzidas 12 mil garrafas de vinho por ano.

O parreiral da produção em terroir missioneiro segue o conceito de mínima intervenção possível no ambiente, sendo mais sustentável e limpa, preservando as características naturais. O tempranillo e o cabernet franc se destacam entre os rótulos, com reconhecimento da mídia especializada.

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O tour inclui ainda um lado esotérico. A cada visitante que chega, é tocado um sino seis vezes para espantar energias negativas. O ritual de boas vindas inclui ainda incenso e canto gregoriano.

Foto: divulgação
Foto: divulgação

O visual da vinícola boutique se assemelha às catedrais missioneiras, fazendo uso de tijolinho à vista e boas doses de rusticidade. É no local que acontecem as degustações, acompanhadas de mesa de pães, frios e antepastos. A visita completa na propriedade dura em torno de 2 horas.

A visitação custa de R$ 50 a R$ 120 por pessoa, a depender da degustação de um ou mais vinhos da casa

Vai lá!

A vinícola Malgarim fica na BR 472, ha 7 km do trevo de São Borja em direção a Itaqui – São Borja – RS
Contato através dos telefones: (55) 99640.6767 | 99927.9865

Foto: divulgação

Turismo além do vinho

A cidade de São Borja, a 600 km de Porto Alegre, foi fundada à margem esquerda do rio Uruguai por jesuítas espanhóis, formando entre 1682 e 1706 a primeira civilização do estado após a ocupação do homem branco e imigrante. Os núcleos populacionais foram chamados de Sete Povos das Missões,

Ao longo do tempo, o município passou a se orgulhar de ser berço de dois ex-presidentes do Brasil: Getúlio Vargas e João Goulart. O ex-governador do RS e do RJ, Leonel Brizola, foi sepultado lá também. Uma das obras mais renomadas de São Borja é o mausoléu de Vargas, projetado pelo arquiteto Oscar Niemayer.

A região missioneira é propícia para o turismo histórico, cultural e religioso, podendo ser conhecida por meio da Rota Missões, um roteiro turístico que engloba 26 cidades. As edificações foram erguidas por indígenas Guarani convertidos à doutrina cristã, mas com a invasões bandeirantes nos territórios, boa parte delas viraram ruínas.

Foto: divulgação/Rota Missões

É o caso do Parque Histórico Nacional das Missões, onde fica um dos principais atrativos do Rio Grande do Sul: as ruínas da Igreja de São Miguel Arcanjo, na cidade de São Miguel das Missões. Entre os demais patrimônios mantidos estão sítios arqueológicos em São Lourenço Mártir, São Nicolau e São João Batista. 

Os locais são abertos às visitação. Quem peregrina pelo Caminho das Missões percorre 338 km em 14 dias; 190 km em 07 dias; 06 dias de 155 km e de 03 dias dias de 72 km. O trajeto inclui antigas construções de pedras, retiradas das ruínas, moinhos missioneiros e casas centenárias.

A gastronomia e costumes alemães também fazem parte do roteiro, em especial em São Pedro do Butiá, com destaque para a arquitetura germânica e o Centro Germânico Missioneiro, local que foi construído um monumento de 30m em homenagem a São Pedro.

Foto: divulgação/Rota Missões

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