Embora não sejam tão conhecidos dos brasileiros, os vinhos espanhóis são um dos motivos que nos fazem amar o país. Há outros, claro: comida, Dom Quixote, siestas, o idioma… A lista é quase tão grande quanto o número de vinhos com denominação de origem na Espanha.

Sim. Ao todo, são 96 vinhos espanhóis com denominação de origem protegida registrados na União Europeia. NOVENTA E SEIS. A lista completa você encontra aqui.

De acordo com a revista Adega, o país possui hoje a maior área de vinhedos do mundo. Suas uvas mais conhecidas são Tempranillo, Garnacha, Monastrell, Cariñena, Graciano, Mencía e Mazuelo, usadas principalmente para fabricação de vinhos tintos. Entre as brancas, destacam-se as variedades Verdejo, Albariño, Xarel-lo e Viura.

Bom, isso já indica que não vai ser possível percorrer todas as rotas de vinhos que existem na Espanha. Não se pode ter tudo na vida, mas também não é preciso deixar o sonho pra lá.

Para manter acesa a vontade de viajar, reunimos aqui três roteiros pelos vinhos espanhóis. Cada rota tem foco em um vinho com características bem diferentes, assim como as paisagens que os acompanham.

Olha só o que você vai encontrar:

Vinho + tapas. Foto CC BY 2.0 GastroyPolitica By FB

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La Rioja: os mais famosos vinhos espanhóis

Não tem pra ninguém. La Rioja é a região de vinhos espanhóis mais conhecida. Ela pode ser dividida em três diferentes áreas: a Rioja Alavesa, a Rioja Alta e a Roja Oriental.

Na Rioja Alta encontram-se alguns dos vinhos mais característicos da região, bem como diversas vinícolas e museus dedicados ao tema. A natureza também se faz presente: para compensar as taças consumidas no dia anterior, existem 15 rotas de caminhadas espalhadas pela região.

La Rioja Oriental foi a primeira região com denominação de origem da Espanha, sendo registrada em 1925. Desde então, a produção vinícola se modernizou e o turismo ganhou força em localidades como Alfaro, Autol, Quel, Tudelilla, Arnedo, Alcanadre ou Grávalos.

Localizada na província de Álava, a Rioja Alavesa é formada por 15 municípios. Grande parte deles ainda guarda uma arquitetura medieval que contrasta com as técnicas modernas empregadas na produção dos vinhos. Ao todo, são 13.500 hectares de vinhedos e 400 vinícolas.

Quando estive na região, em 2017, organizei meu roteiro para passar pelas cidades de Elciego (onde fiquei hospedada), Haro e Sajazarra. Esta última é listada como um dos povoados mais lindos da Espanha por sua arquitetura medieval ainda preservada. Compartilhei mais sobre esse roteiro aqui.

Três experiências embriagantes em La Rioja

PREPARE SEU ROTEIRO
De Madrid a Logroño, capital de La Rioja, você levará de 3 a 4 horas. A viagem pode ser feita de carro, ônibus ou trem. De Barcelona, as melhores opções são viajar com os ônibus da ALSA (6h) ou de carro (4h30). O aluguel de um veículo é aconselhado por permitir mais mobilidade entre as diferentes cidades do roteiro, mas lembre-se: se beber, não dirija.

Vinícola Marqués de Riscal, em Elciego.
Vinícola Marqués de Riscal, em Elciego. Foto: Mari Dutra

Vinho de Jerez

Os vinhos de Jerez possuem características únicas. Produzidos na região do Marco de Jerez, na província de Cádiz, em Andaluzia, eles ocupam mais de 7 mil hectares de vinhedos em uma tradição com quase três mil anos de história.

São três as principais variedades de uvas cultivadas na região: Palomino, para vinhos secos, e Pedro Ximénes e Moscatel, para os doces.

A região vinícola é formada por oito municípios. Os principais são Jerez, El Puerto de Santa María e Sanlúcar de Barrameda. Somam-se a esta rota as cidades de Chiclana, Chipiona, Puerto Real, Rota e Trebujena.

Três experiências embriagantes em Jerez

PREPARE SEU ROTEIRO
A cidade de Jerez conta com um pequeno aeroporto usado apenas para voos curtos. Do Brasil, é aconselhado voar até Lisboa ou Madrid e seguir para a região de carro. Da capital portuguesa, são cinco horas de viagem; para saídas de Madrid, adicione uma hora ao trajeto. Também há ônibus e trens que cobrem essa rota.

Cúpula de uma catedral católica
Catedral de Jerez. Foto: antgarprats

Cavas no Penedès

A apenas meia hora de Barcelona, na Catalunha se encontra a região de Penedès, famosa pela produção de cava, um espumante típico da Espanha. No local, há ainda uma boa variedade de vinhos jovens, com brancos mais frutados e tintos encorpados.

Apesar de ser formada por mais de 40 municípios, é na cidade de Sant Sadurní d’Anoia que se encontram algumas das principais produtoras de cavas, como Freixenet e Codorniu.

Além da bebida, o local também permite uma imersão no modernismo catalão, estilo arquitetônico que se tornou conhecido no mundo inteiro devido às obras de Gaudí.

Três experiências embriagantes no Penedès

  • Sobrevoe o Penedès de balão (dica no BCN Cool Hunter)
  • Conheça a vinícola Codorniu, em Sant Sadurní d’Anoia, uma obra do arquiteto modernista Puig i Cadafalch declarada como Patrimônio Artístico Nacional em 1976 (dica no Viva, Barcelona!)
  • Visitar a região durante a vindima, que ocorre entre os meses de setembro a novembro.

PREPARE SEU ROTEIRO
Voe para Barcelona e, uma vez lá, siga viagem até Sant Sadurní d’Anoia. São 45 minutos de trajeto de carro ou 1h em trem (a estação fica quase em frente à Freixenet).

Porta de uma construção onde se lê as palavras "Cavas Freixenet" na fachada.
Entrada das Cavas Freixenet, em Sant Sadurní d’Anoia. Foto CC BY-SA 3.0 Josep Ros i Ros

Uma viagem pelos melhores vinhos espanhóis faz parte dos sonhos de muita gente. No momento, não é possível percorrer cada uma destas regiões, mas continuamos imaginando como seria esse roteiro. O melhor de tudo é que não falta tempo para planejar.

Como seguimos em casa, a solução é abrir uma boa garrafa de vinho e preparar algumas receitas de tapas espanholas.

Aproveita para conferir também um roteiro pelas regiões vinícolas de Portugal e MUITAS dicas da equipe Quanto Custa Viajar para curtir a quarentena viajando sem sair de casa. 😉

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