O litoral brasileiro foi durante um bom tempo dominado por pescadores que viviam da pesca artesanal. Hoje, embora com avanços de infraestrutura, algumas vilas ainda guardam consigo a rusticidade de outrora. Selecionamos 10 vilas caiçaras para conhecer no Brasil e ver o quanto estes lugares seguem mantendo suas raízes com muito charme e identidade.

Desde que o país foi descoberto, índios já se sustentavam com base em frutos do mar. Seus descendentes, chamados de “caiçaras”, mantiveram a prática como meio de sobrevivência e passaram por grandes desafios entre os anos de 1960–1980 por conta da especulação imobiliária, que foi desde então um dos principais problemas para as comunidades mais simples e sem tantos recursos financeiros.

Resistindo, seguem até os dias atuais, umas mais lapidadas pelo turismo e a modernidade, e outras menos. Saiba mais sobre parte delas e ajude-as a continuar existindo:

Arraial d’Ajuda — Bahia

A cidade a poucos minutinhos de Porto Seguro é bem pequenina. Com praias lindas e pousadas charmosas, tem um clima agradável de vila, onde tudo é perto. A rua Mucugê é o centrinho de Arraial e reúne lojas, bares e restaurantes que ficam disputados durante as noites quentes de verão. Toda em paralelepípedos, tem um charme só dela, especialmente em seu principal ponto turístico: a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Ajuda, que tem em sua parte de trás um muro coberto por fitinhas coloridas do Senhor do Bonfim e uma vista deslumbrante para a praia.

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Foto: Brunella Nunes/Equipe QCV

Paraty e Trindade — Rio de Janeiro

Inspirada em terras portuguesas, Paraty é um destino charmoso onde parece que o tempo parou. Casarões coloniais típicos dos portugueses, igrejas dos séculos 18 e 19, e calçadas com pedras são parte do charmoso centro histórico. Praias, piscinas naturais e cachoeiras coroam o passeio com recursos naturais. A 10 minutos do centro histórico está Trindade, que tem um grande e intocado trecho de Mata Atlântica ao seu redor, além de praias, piscinas naturais, pousadas, campings e restaurantes rústicos.

Garopaba — Santa Catarina

Não é a toa que os surfistas não largam Garopaba. Ali está a praia da Ferrugem, uma das melhores praias para pegar onda no Brasil. O estilo de vida dos esportistas permeia toda a região, que investe em restaurantes naturebas, lojas de pranchas e acessórios. No inverno, a região atrai baleias-francas, que desovam em suas águas. O nome da cidade vem do guarani e significa “enseada dos barcos”, pois se tratava de uma vila de pescadores. Hoje tem cerca de 20 mil habitantes e geralmente é bem tranquila, mas o número de pessoas chega a triplicar com os visitantes na alta temporada e em feriados.

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Santo Amaro — Maranhão

Saindo da disputada Barreirinhas, porta de entrada para os maravilhosos Lençóis Maranhenses, o município de Santo Amaro se mantém longe dos holofotes turísticos por enquanto, mesmo que também seja um dos acessos para o Parque Nacional. Com lagoas maiores e dunas ainda mais altas, o lugar é tido como um “paraíso escondido” devido sua beleza mais selvagem. Lagoas em meio a paisagens silenciosas são um convite irrecusável. As pousadas e os restaurantes são simples, mas você nem vai precisar de mais nada. Ao lado está Atins, outra cidade-sede para Lençóis longe da muvuca.


Praia da Pipa — Rio Grande do Norte

Apesar de ser o segundo destino mais visitado do Rio Grande do Norte e até conhecida internacionalmente, a praia da Pipa ainda se mantém como um vilarejo em Tibau do Sul. O núcleo urbanizado e já bem desenvolvido cresce ao redor das falésias vermelhas que ficam de frente para o mar, contando com restaurantes, bares, lojas, várias opções de hospedagem (desde campings até resorts luxuosos) e uma vida noturna animada. As praias de águas mornas e azuis oferecem a melhor parte do santuário ecológico em plena Baía dos Golfinhos.

Bonete — São Paulo

No litoral Norte de São Paulo, Ilhabela ainda é um vilarejo sossegado (fora da alta temporada, é claro) com pequenos edifícios, muita vegetação e ruas de pedra. Bem longe do centrinho, a vida é mais pacata ainda, especialmente na praia do Bonete, que disputa com Castelhanos o título de praia mais bonita da ilha. Habitada pela maior comunidade caiçara do município, ainda preserva sua cultura. De frente para o mar aberto, ali os pescadores tiram seu sustento e os turistas se esbaldam nas águas cristalinas. Degustar um peixinho frito na beira do mar faz jus ao trabalho dos locais e faz você não querer arredar o pé do lugar de difícil acesso.

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Itaúnas — Espírito Santo

Entre 1940 e 1970, ela chegou a ficar soterrada por areia. Mas resistiu. E até hoje segue nessa missão. A capixaba vila de Itaúnas fica quase na divisa com a Bahia e permanece quase intocada pela ação humana. Entre dunas e manguezais, a comunidade caiçara atrai jovens e mochileiros em busca de sua personalidade única, além de belas praias, trilhas e dunas. Patrimônio histórico e ecológico, tem ainda as ruas de barro e construções rústicas.

Abraão — Rio de Janeiro

Ilha Grande reúne algumas das praias mais lindas do Rio. E a vila de Abraão é quem recebe os turistas que chegam de barco em seu píer. Inacessível para veículos, o reduto tropical reúne boa parte das opções de hospedagem (pousadas, campings, casas e suítes), restaurantes, bares, comércio e agências de passeios. É tudo simples e rústico. O povoado tem cerca de 2 mil habitantes, que investem seus esforços na infraestrutura turística do local e na pesca.

Barra Grande — Piauí

Ruas de areia, casinhas simples e burburinho a beira-mar são as principais características de Barra Grande, vila que dá acesso ao Delta do Parnaíba, que lembra a vizinha Jeri (a 175 km de distância) de antigamente. Não por acaso conquistou muitos gringos, que resolveram chamá-la de casa e construir empreendimentos confortáveis por ali. Ainda assim, mantém suas principais características ainda intactas, com muita vegetação, tranquilidade e ótimos passeios.

Ilha do Cardoso — São Paulo

A Ilha do Cardoso é conhecida por reunir algumas das melhores e mais preservadas praias de São Paulo. Tudo ali ainda é comandado pela própria comunidade caiçara, que se divide em duas: a Marujá e o núcleo do Perequê. Ainda sem energia elétrica, preserva a simplicidade em sua mais pura forma, desde os restaurantes até as pousadas familiares. Não há espaço para o luxo e grandes empreendimentos. Ainda bem! Aproveitar uma praia selvagem e conhecer um lugar tipicamente caiçara tem se tornado cada vez mais raro.

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