Se você leu muito Jack Kerouac ou viu muitos filmes de roadtrip, talvez tenha coragem suficiente para encarar uma viagem de carro de São Paulo a Bariloche. A travessia que liga o Brasil até a região nevada da Argentina é relatada por viajantes na internet, o que facilita o planejamento e evita alguns perrengues.

Não é por acaso que San Carlos de Bariloche é apelidada como “Brasiloche”. A cidade na Patagônia argentina é uma velha conhecida dos brasileiros, que a elegeram como destino de inverno ideal para umas férias nos alpes latinos. Neve, estação de esqui, chocolate quente, paisagens deslumbrantes a perder de vista e arquitetura alpina são razões para querer tirar umas férias por lá.

A região costuma ser atendida por voos regulares, sempre em conexão com Buenos Aires, e durante a temporada de inverno, são oferecidos até mesmo voos diretos a partir de São Paulo. Mas há quem também coloque o pé na estrada e faça o trajeto de carro ao longo de cinco dias! Isso caso você faça paradas apenas para dormir e comer, sem turistas no meio do caminho.

Conheça as distâncias

  • Buenos Aires: 1.580 km
  • Porto Alegre: 2.812 km
  • Curitiba: 3.297 km
  • Florianópolis: 3.269 km
  • São Paulo: 3.700 km
  • Rio de Janeiro: 4.144 km
De São Paulo a Bariloche tem esse visual como surpresa final

Possíveis rotas para a viagem de carro de São Paulo a Bariloche

Com espírito de aventura, planejamento e carro revisado, é possível traçar uma porção de rotas de pernoites em cidades no Sul do país, cruzando para o Uruguai/Paraguai e enfim chegando até o destino argentino. O roteiro certamente fica mais interessante se você tiver tempo e grana suficientes para desbravar algumas maravilhas que surgirem pela frente. 

De acordo com alguns relatos de viajantes, são cerca de 8 mil km rodados para ir e voltar. A primeira parada saindo de São Paulo pode ser Florianópolis (SC) ou Foz do Iguaçu (PR), que dão em torno de 10 horas a 14 horas de viagem, sem contar imprevistos, é claro. A segundo opção tem mais horas de estrada, porém é mais rápida para chegar ao destino final.

Se estiver com disposição, dá para conhecer as cataratas do Iguaçu, o free shop ou parar para conhecer as belas praias de Floripa. Há quem continue na estrada no dia seguinte rumo à Pelotas para pernoitar, sendo a última parada dentro do território nacional. De lá, segue rumo à litorânea Punta del Este, já no Uruguai. Dá pra incluir uma paradinha em Colônia del Sacramento, cidade bem pitoresca e turística.

Foto: divulgação/CVC

A estrada segue até Buenos Aires, que tem inúmeros atrativos para conhecer, sendo uma pernoite interessante e com boa infraestrutura. É comum que, a partir de BsAs, os viajantes parem para dormir em Trenque Lauquen e em General Roca, pequeninas e acolhedoras. Depois são mais 249 km até Bariloche e na rodovia já se avistam as montanhas nevadas e se sente as baixas temperaturas.

Quem opta por ir até Foz do Iguaçu já pode cruzar a fronteira via Puerto Iguazu, que é a cidade argentina onde fica um pedaço das enormes cataratas. Para pernoitar de novo na Ruta 12, tem as cidades de Corrientes e Santa Fé como opção. Depois são cerca de 1.100 km até Neuquén, uma província já na Patagônia e, portanto, cheia de paisagens espetaculares para admirar.

A Villa La Angostura é uma das melhores paradas turísticas para fazer naqueles arredores. Tem bons restaurantes, lindos parques, mirantes e trilhas

Foto: divulgação/Turismo Neuquén

Depois são mais 440 km até Bariloche, o que dá em torno de 6 horas de viagem. É a Ruta Nacional 237 que liga as duas cidades, com direito a mais encantamento ao longo do percurso. Separe a câmera fotográfica e aproveite os momentos que encerrarão uma parte importante da jornada!

As estradas estão em bom estado e possuem alguns serviços em boa parte do percurso. Você pode conferir o que fazer em Bariloche no site do Quanto Custa Viajar. E lembre-se: o caminho é mais importante do que o destino final. Divirta-se!

Viagem de São Paulo a Bariloche tem fortes quedas de temperatura – Foto: divulgação/Turismo Neuquén

Onde pernoitar

*Os custos variam de acordo com a quantidade de pessoas, o período do ano, o dia da semana, a localização da hospedagem e o câmbio da moeda. Cálculo de diária feito para dois adultos por quarto em maio de 2021.

Foto: divulgação

Prepare-se antes de ir

  • De novembro a abril é um bom período para viver essa aventura;
  • Se quiser ver neve e esquiar, prepare também o bolso para a alta temporada, que vai de junho a meados de setembro;
  • Adicione ao menos dois dias a mais na sua folga, pois caso tenha imprevistos no meio do caminho, o tempo ficará mais curto;
  • Crie uma rota primária e uma secundária antes de partir;
  • Revise seu carro, leve algumas ferramentas que possam auxiliar pequenos problemas e equipe-o com tudo o que for necessário para seu conforto;
  • Não se esqueça de trocar o dinheiro antes de sair do Brasil;
  • Tire seu permiso turístico no site oficial de Bariloche;
  • Separe peças de roupa para mudanças bruscas de clima e para temperaturas muito baixas;
  • Tenha em mente que seu carro poderá enfrentar nevascas e percursos com neve na estrada;
  • Leve remédios e itens básicos de sua necessidade, porque na estrada tudo fica mais difícil, mais escasso e até mais caro;
  • Vá além: descubra a Ruta 40, uma das mais lindas da Argentina!
Colonia Suiza, em Bariloche – Foto: divulgação/Turismo de Bariloche

2 comentários

  1. Já estive 4 vezes na região, mas todas de avião e alugando carro em Bariloche. Sonho fazer essa viagem de carro com bastante tempo e ir até o Chile também. Acho que o melhor trajeto (mais rápido) não é mencionado na matéria, que seria cruzar a fronteira em Uruguaiana (Passo de los Libres)…Via Uruguai depende de transporte de navio…A rota dos 7 lagos que liga San Martin de Los Andes a Bariloche (passando por Villa la Angostura) é a estrada mais linda que já vi, vale cada centavo fazer esse passeio.

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