Dono do segundo maior sítio arqueológico do país, o Parque Nacional Vale do Catimbau, em Pernambuco, ainda não caiu nas graças dos próprios brasileiros, mantendo-se como imaculado apenas entre desbravadores mochileiros. Dividida entre o Agreste e o Sertão, a reserva natural proporciona caminhos que levam a duas mil cavernas, cânions infinitos e outras formações geológicas com mais de 150 milhões de anos na conta.

Preservando um dos últimos remanescentes da caatinga em seu estado bruto no país, que se alastra por 62 mil hectares entre os municípios de Buíque, Ibimirim, Sertânia e Tupanatinga, a região rochosa tem incidência de grandes paredões de arenito, formados por cores diversas, do cinza ao alaranjado. A elevação chega a mais de 1.000 metros de altitude.

É possível ver artefatos, pinturas rupestres e outros escritos milenares que revelam a ocupação pré-histórica no Brasil, tornando o destino como um importante pólo biológico e arqueológico, tesouro dividido, em termos de importância, com a Serra da Capivara, no Piauí.

No total, mais de 100 sítios compõem o Parna Catimbau, sendo 30 deles catalogados e abertos a visitação turística, enquanto outros são reservados apenas a pesquisadores. O de Alcobaça é o mais conhecido entre eles, com inscrições em diferentes estilos, trazendo à tona as nuances de uma variedade de grupos étnicos que por ali passaram.

Dentro do campo geológico, é possível observar um dos indícios de que o oceano cobria o local na Pedra Furada, que tem uma cavidade devido a provavelmente a erosão causada pelo balançar das águas. Da mesma maneira se vê em detalhes a ação das chuvas e dos ventos ao longo dos séculos, que moldou os cânions, os lapiais e as cavernas. Tal fenômeno emoldura a beleza cênica em pequenos mirantes, naturalmente esculpidos entre as rochas.

Foto: Ana Carolina Grillo

O acesso as trilhas, de níveis de dificuldade distintos, pode ser feito com acompanhamento de guias autorizados pela associação de condutores. Porém, há quem tenha curtido a viagem sem a necessidade dos profissionais. Escaladas e longas caminhadas são as principais atividades do parque, sendo a Morro do Elefante, Morro do Cachorro, a Serra das Torres e a Casa de Farinha os principais pontos de interesse. O pôr do sol do alto da chapada arenítica também é imperdível!

Nos arredores se estabeleceu a reserva indígena Kapinawa, que se organizaram para proteger suas terras em meio a conflitos latifundiários dos anos 1970. Com a área demarcada depois de muita luta, a tribo segue em frente com seus costumes culturais, étnicos e religiosos, preservando parte do legado antepassado. O artesanato de palha, juntamente com a agricultura, figura entre a principal fonte de renda da aldeia, formada por 2 mil pessoas, concentradas principal na Serra da Mina Grande.

Contemplando todo esse esplendor selvagem estão ainda 150 espécies de aves, com a presença de exemplares raros e em extinção, como o Pintassilgo e o picapauzinho. Outros animais dividem o espaço com os pássaros, com destaque para os lagartos, as raposas, o tatu-peba e o pequeno roedor mocó.

Para escapar do sol à pino do sertão, nada melhor do que uma piscina natural. No balneário Paraíso Selvagem, comandado pelo índio Jurandir Kawak, tem ainda lagoas artificiais, bicas, sítios arqueológicos, ocas que fazem o papel de acomodação e um mirante de tirar o fôlego. O proprietário também abriga os adeptos ao camping e aventureiros que praticam rapel.

O misto de texturas, relevos e cores resulta numa paisagem semi-árida sem igual, dentro do pequeno grande mundo que é o Brasil. Pegue a próxima passagem rumo a Pernambuco e lembre-se de que tocar o horizonte pode estar mais próximo do que você imagina.

Quando ir: cerca de 60 a 75% das chuvas ocorrem no período de março/abril até junho/julho. O menor período de chuva vai de setembro a janeiro, sendo outubro o mês mais seco. De junho a outubro, o clima não é tão seco, a paisagem fica mais verde e a temperatura é menos intensa.

Como chegar: a vila de Catimbau, que é a porta de entrada para o parque, fica a 285 km de Recife. De carro, siga pela BR-232 rumo a Caruaru/Arcoverde. Alcançando a rodovia PE-270, vá sentido Buíque até chegar no destino final. Segundo apuração do Quanto Custa Viajar, o ônibus de Recife a Buíque custa a partir de R$ 65,00 e com mais R$ 5,00 se pega uma van rumo à Catimbau. Se preferir ir de carro, não deixe de alugar o seu online!

Onde ficar: o camping custa R$ 20,00 com barraca. Além do Paraíso Selvagem, existe uma pousada simples que fica praticamente dentro do parque, e outra bem próxima da entrada. Os visitantes também podem se acomodar em Buíque ou Arcoverde.

Fotos via agtur catimbau | guia Eneas | Prefeitura de Buíque | ICMBio | Paraíso Perdido

Tesouro natural e arqueológico no Brasil, Serra da Capivara sofre com falta de recursos

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