Tem jeito mais gostoso de conhecer um país do que através de sua gastronomia?

Provavelmente, não. E Portugal tem tantos pratos típicos que a gente se perde só de pensar nas delícias que encontra por lá. Em Lisboa, o Pastel de Belém original é uma iguaria que se tornou uma verdadeira atração e encanta até mesmo os viajantes que torcem o nariz para o turismo gastronômico.

É por isso que reunimos aqui alguns dos sabores que ficam na memória de quem conhece Lisboa – e prometem se tornar uma boa razão para voltar à capital portuguesa. Pega o guardanapo e prepare-se para salivar com muita água na boca ao longo dessa lista.

Pastéis de Belém

O original só existe em Lisboa e é fabricado desde 1837 no bairro de Belém. O enorme restaurante com fachada discreta fica na Rua de Belém, números 84 a 92. Prepare-se para enfrentar filas antes de sentar caso viaje na alta temporada, mas tenha a certeza de que toda a espera irá valer a pena: o doce se desfaz na boca a cada mordida.

Apesar de sua fama, são poucas as pessoas que sabem a história dos Pastéis de Belém. A receita surgiu após uma revolução liberal ocorrida em Lisboa entre os anos 1820 e 1834, quando mosteiros e conventos de Portugal foram fechados, expulsando o clero e os trabalhadores. Para sobreviver, um dos recentes desempregados teve a ideia de começar a vender doces ao lado do Mosteiro dos Jerônimos. Deu tão certo que a receita continua a mesma.

Foto CC BY 2.0 Heather Cowper/Wikimedia Commons

“Em 1837, inicia-se o fabrico dos ‘Pastéis de Belém’, em instalações anexas à refinação, segundo a antiga ‘receita secreta’, oriunda do Mosteiro. Transmitida e exclusivamente conhecida pelos mestres pasteleiros que os fabricam artesanalmente, na ‘Oficina do Segredo’. Esta receita mantém-se igual até aos dias de hoje”, conta o site do restaurante.

Os outros doces com receita similar podem ser encontrados em praticamente qualquer padaria lisboeta, mas ganham outro nome: “pastéis de nata” – e a Chata de Galocha ensina como reproduzir a receita em casa.

Bacalhau à Brás

Diretamente do Bairro Alto, esse prato aterrissa no imaginário português. Não há quem não tenha provado a iguaria e abençoado a ideia incomum do taberneiro que decidiu misturar bacalhau com ovos, cebolas e batatas.

Se não restam dúvidas quanto ao sabor do prato, elas se proliferam quanto à grafia do sobrenome de seu criador: seria Brás ou Braz? Na verdade, a dúvida tem tudo para ser esquecida, visto que muito provavelmente este respeitável senhor se chamasse Braz, como era grafado o nome na época. Atualizado, o nome vira Brás, segundo define o site Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.

Foto CC BY-SA 4.0 Avicentegil/Wikimedia Commons

Sopa de Fava-Rica

Uma sopa pouco consumida atualmente, mas que retrata a Lisboa do início do século XX. Na época, ela era vendida por mulheres ambulantes que gritavam o nome do grão (um parente do feijão) nas ruas.

Seu consumo era muito comum durante o café da manhã entre as classes populares, por ser econômica e muito nutritiva, como destaca a Câmara Municipal de Lisboa. Apesar de já não ser presente nas mesas portuguesas, ainda é possível provar este prato típico no restaurante O Forno do Alfarrabista– para isso, no entanto, é necessário contatar os proprietários na véspera para que eles possam colocar as favas de molho.  Se preferir, cozinhe uma fava-rica em casa com esta receita do blog Outras Comidas.

 

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Iscas com elas

Não se deixe enganar pelo nome: as “iscas” portuguesas não se parecem em nada com as que comemos aqui no Brasil. Ao invés de carnes nobres, o prato leva fígado em sua composição. O bife é preparado em fatias finas e frito em banha. O “elas” que o acompanha são as batatas, sempre presentes na gastronomia portuguesa.

Está permitido torcer o nariz para a receita. Mas, caso queira mesmo prová-la, você encontra as instruções de preparo no blog Iguarias Caseiras. Em Lisboa, procure por uma autêntica taberna para experimentar essa tradição à mesa.

Foto: Câmara Municipal de Lisboa

Ovos verdes

Não interessa se você vai prová-los como petisco, entrada ou como o prato principal. Estes ovos remontam a uma antiga tradição gastronômica lisboeta.

A receita é simples: ovos cozidos, cortados ao meio, recheados com própria gema, farelo de pão e temperos. Basta empanar e fritar e os ovos verdes estão prontos.

 

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Sardinhas assadas na brasa

Uma das comidas mais típicas de Lisboa, a sardinha assada na brasa é considerada também uma das 7 maravilhas da gastronomia de Portugal.

Dizem que o peixe já era conhecido pelos fenícios quando estes viviam no território em que hoje fica Portugal. E, segundo conta O-Tuga, sua pesca em excesso levou até mesmo a uma escassez de sardinha no século 16, obrigando o governo a proibir as pessoas a levar o peixe para fora de Lisboa. Já nos séculos 19 e 20, o prato era muito consumido por famílias rurais portuguesas.

Para ser bem lisboeta, o melhor é consumi-las assadas nas calçadas, durante as Festas de Lisboa, evento que ocupa as ruas da cidade durante o mês de junho.

Foto CC BY 2.0 Yusuke Kawasaki/Wikimedia Commons

Pastéis de Bacalhau

O que nós chamamos de “bolinho de bacalhau” aqui no Brasil e no norte de Portugal, em Lisboa é chamado de “pastel”.

Como conta o gastrônomo Virgílio Nogueiro Gomes, a primeira receita de bacalhau servido no formato deste petisco data de 1841. É no livro “Arte do Cozinheiro e do Copeiro”, de Visconde de Vilarinho de S. Romão, que a história da receita se materializa.

Para provar a delícia, basta entrar em praticamente qualquer padaria ou restaurante português e pedir um pastel de bacalhau. Invenção recente, os pastéis recheados com queijo de Serra da Estrela da Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau unem dois sabores tipicamente portugueses e prometem deixar qualquer viajante com água na boca.

Foto CC BY 2.0 Richard Weaver/Wikimedia Commons

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Cozido à Portuguesa

Um dos pratos mais tradicionais de Portugal, esse cozido tem até mesmo o nome do país em sua denominação. Preparado com tantos tipos de carne quanto for possível imaginar, ele pode levar carne, frango, porco e até vísceras.

Seu preparo muda de região para região, mas o prato é sempre forte, com o vigor de uma comida para aquecer durante o inverno europeu. Não se sabe bem qual é a origem do cozido, mas acredita-se que ele pode ter surgido devido a uma crise econômica: como não havia fartura, a solução encontrada no país era misturar o que houvesse disponível em uma panela e colocar tudo para ferver.

Foto CC BY-SA 3.0 Uxbona/Wikimedia Commons

Como resultado, este se tornou um dos sabores mais emblemáticos do país.

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