Quem busca por aventura, tranquilidade e contato com a natureza encontra o lugar ideal no Parque da Pedra Azul, no Espírito Santo. Com 1.822 metros de altura, uma formação de granito e gnaisse dá nome a uma das principais atrações do estado, rodeada pela segunda maior reserva de Mata Atlântica do país, além de belas piscinas naturais e flores coloridas.

Criada em 1991, a reserva natural em Domingos Martins, região serrana colonizada por alemães a 50 km da capital, que atrai muitos turistas durante as baixas temperaturas. O parque chega a ter uma média de 1.200 visitas por mês, que encaram trilhas, observam a rica fauna local e depois repousam em pousadas charmosas que se espalham até a vizinha Venda Nova do Imigrante, a Capital Nacional do Agroturismo, e o vilarejo de Aracê.

É nesse cantinho com influências italianas que estão alguns atrativos urbanos, como a Casa do Compadre, que funciona como ateliê do designer Ronaldo Barbosa, onde é possível comprar uma lembrancinha ou até um presente para alguém. Há ainda uma igreja, uma escola, e um bar e restaurante.

O que fazer:

Todo o entorno da Pedra Azul tem coisas interessantes para fazer e conhecer, então o roteiro vai depender bastante dos seus interesses pessoais. O parque costuma atrair pessoas ativas e que tenham energia o suficiente para encarar atividades como rapel, parapente, alpinismo, cavalgadas, canoagem e trilhas com mirantes, sendo uma com 1,5 km (sem guia) e a outra com aproximadamente 3 km (com guia). Há limite de visitantes, sendo 100 e 50, respectivamente.

A mais longa tem como destaque as belas piscinas naturais escavadas sobre uma rocha, acessada por corda em uma escalada de 97 metros. São várias circunferências, como se fossem bacias de água doce, com vista privilegiada para o horizonte, igual aquelas jacuzzis nas casas dos bacanas. Só que essa é grátis e natural!

Pelo caminho, reserve um tempo para observar a flora, composta por orquídeas, bromélias, ingás, cedros, ipês, e inúmeras variedades de canela. Na sorte, encontra também exemplos da fauna local pelo caminho, incluindo macaco-prego, tatu, jaguatirica, tucano, veado catingueiro e até a ameaçada onça pintada.

Outras atividades podem ser feitas dentro das pousadas e centros de recreação, como Stand Up Paddle, tirolesa, passeios de bike e a cavalo, como mostramos no Fjordland. O parque Selva Sassiri tem um circuito de arvorismo bem bacana, enquanto o Mistura Turismo e Aventura diverte os adultos com rapel e voo duplo.

Vale a pena esticar a jornada até o Parque Estadual do Forno Grande, onde está o segundo maior pico do Espírito Santo, com 2.039 metros de altura. Segundo o pesquisador Augusto Ruschi, seu topo de 300 metros conta com a maior floresta de altitude do mundo. Há trilhas de fácil acesso com amplas vistas panorâmicas, cachoeira com queda d’água de aproximadamente 30 metros de altura, uma gruta e um conjunto de piscinas naturais. Embora tenha infraestrutura, não é possível acampar por lá, mas existem pousadas e restaurantes no entorno.

Os interessados podem ainda seguir viagem rumo ao campo, já que a região abraça com carinho o agroturismo. Apiários, sítios, plantações de café, flores e frutas – como o morango -, cervejarias e outras propriedades familiares são abertos ao público. A temperatura, que resulta em um dos três melhores climas do mundo, também favorece a produção de vinhos, então uma taça regional cai bem.

Onde comer: dentro do parque não há lanchonetes, apenas fontes de água potável e locais específicos para refeição, então é importante levar um lanchinho. Fora da reserva natural, porém, a gastronomia é um prato cheio. Os hotéis estão entre as opções, já que os restaurantes recebem quem não é hóspede.

O Ninho do Jacu é uma opção simples, agradável e rodeada pelo verde. Na mesa, culinária típica da roça em buffet variado ou a la carte (nos meses de julho e agosto). Já o Travoletta é a junção entre arquitetura italiana e decoração contemporânea, com cardápio focado em risotos e massas.

Para ter um gostinho mais internacional na hora da refeição recorra ao Argento, dentro do hotel Bristol Vista Azul, que serve os tradicionais cortes de carnes argentinos, acompanhados de uma variada carta de vinhos. Em clima mais descontraído, o Blue Rock Pub serve hambúrgueres gourmet, finger foods e chopes.

Agora, novidade mesmo para o paladar é a tradicional pizza de polenta, uma das especialidades do Café da Roça Altoé da Montanha. Prove também o farto café colonial, feito com produtos caseiros e regionais.

Onde dormir: é fácil encontrar refúgios e cantinhos charmosos na região, em sua maioria com vista para a Pedra Azul. Rodeado por uma bela paisagem em Domingos Martins, o Sítio dos Lagos (média de R$ 475 por dia) é uma propriedade familiar tradicional, que há 50 anos se mantém preservada. Conta com sete chalés independentes, além de salão de jogos, pescaria, tirolesa, piscinas adulto e infantil, bicicletas triciclos, sauna a seco, entre outros.

Cenário semelhante se faz presente na pousada Bela Aurora (média de R$ 260 por dia), em Venda Nova do Imigrante. As vivendas se espalham pelo terreno verdinho, todas com vista para o lago, que proporciona passeios de pedalinho e caiaque. Há ainda um salão de jogos e playground.

O eco-resort Pedra Azul (média de R$ 330 por dia), vizinho do parque, fica às margens de um lago e de uma cachoeira com queda livre de 90 metros. Sua estrutura conta com restaurante, piscina, spa, sauna, academia, quadras de tênis, trilhas para caminhadas, salas de jogos, de chá e de leitura, mini-cinema, adega subterrânea e um heliponto.

Quem busca por mais conforto e sofisticação pode recorrer ao Aroso Paço Hotel (média de R$ 575 por dia), que foge totalmente da linha rústica com elementos clássicos da arquitetura greco-romana. Os hóspedes desfrutam de apartamentos luxuosos, sala de jogos, quadra poliesportiva, quadra de tênis, sauna, trilhas e uma piscina com vista deslumbrante.

Quando ir: novamente, tudo vai depender do que você deseja encontrar ou fazer por lá. Se quer aproveitar os atrativos naturais, é melhor optar pela primavera ou verão, mesmo período em que acontece a celebração alemã Sommerfest.

Para curtir o clima romântico ao redor da lareira, o outono e o inverno são mais indicados, com termômetros marcando entre 7ºC e 9ºC. O clima seco dessas estações também favorece a prática de esportes de aventura. Acompanhe o calendário se não quiser perder as comemorações típicas, que são muitas, como a Festa da Polenta, Festa do Morango, Festival Internacional de Música, Tapetes de Flores no Corpus Christi e a Exposição de Orquídeas.

Como chegar: a Reserva Estadual da Pedra Azul está entre os municípios de Domingos Martins e Vargem Alta, a apenas 50 km de Vitória. A viagem já começa a ficar interessante ao pegar a bucólica Rota do Lagarto, no km 89 da BR 262. São 8,5 km de tapetes verdes e alamedas até chegar ao parque.

Agendamento: a entrada no parque é gratuita, mas o passeio às piscinas (trilha de nível médio/difícil) deverá ser agendado com antecedência, diretamente com o guia local, no telefone: 55 (27) 9 9739-8005.
Para conhecer as demais trilhas​ da Pedra Azul não é necessário fazer agendamento, e o passeio é gratuito.
Escolas possuem atendimento prioritário de terça à quinta-feira, e o passeio deve ser agendado nos telefones: 55 (27) 3248-1156 / 55 (27) 9 9846-3489.

Post por Brunella Nunes
Fotos: divulgação/Associação Turística de Pedra Azul e Região