Viagens rendem boas histórias e boas histórias rendem bons livros. Além disso, é inegável que eles são ótimas companhias para qualquer momento. Então, que tal incluir um passeio literário na sua próxima aventura? Descubra 18 casas de escritores famosos para visitar no Brasil e comece a se inspirar a ler ou escrever.

Entrar na casa de alguém é um costume social de muita beleza, mesmo que poucas vezes notada, porque revela a intimidade. Há espaço de sobra para os curiosos adentrarem em um universo bem particular, autêntico e único. A nossa casa é o nosso pedacinho de mundo e assim é com os grandes nomes da literatura nacional e também internacional, já que alguns autores e autoras residiram aqui por um tempo.

Depois de explorar livrarias e bibliotecas, está na hora de virar outras páginas.

Casa Mario de Andrade – São Paulo

Um dos principais ideólogos do movimento modernista e da Semana de Arte Moderna, em 1922, o  escritor e intelectual Mario de Andrade viveu numa casa no bairro Barra Funda, em São Paulo, adquirida um ano antes do evento que carrega para sempre o seu nome. Em agosto de 1990 o espaço passou a funcionar como museu, abrigando objetos pessoais e vídeos nos quais ele aparece, além de uma exposição permanente. Depois de passar um tempo fechada, reabriu restaurada em 2015 com uma extensa programação cultural e educativa.

Cara Cora Coralina – Goiás

Na pequena e pitoresca Cidade de Goiás nasceu um dos maiores nomes da poesia brasileira: Cora Coralina. A antiga doceira estudou apenas até a terceira série e, apesar de ter começado cedo a escrever nos jornais locais, teve seu primeiro livro publicado somente aos 75 anos de idade, o que não impediu seu sucesso. Sua casa, uma construção simples de 1770, foi transformada em um museu dedicado à sua memória. Com 3 mil m², conta com 16 cômodos, um amplo quintal e uma bica d’água potável. Sua prima, a pintora Goiandira Ayres do Couto, tem obras expostas em um espaço cultural homônimo.

Casa Guilherme de Almeida – São Paulo

Um dos grandes amigos de Mário de Andrade e mentor no movimento modernista brasileiro, o poeta e tradutor Guilherme de Almeida viveu na chamada “casa da colina”, no bairro nobre Pacaembu. A partir de 1946, o sobrado de aproximadamente 240 m² passou a abrigar ele e sua companheira, Baby de Almeida. O acervo conta com obras de arte de Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Lasar Segall e Victor Brecheret, livros, objetos e gravuras. A programação é focada nas áreas de atuação do escritor: cinema, jornalismo e teatro.

Museu Monteiro Lobato – São Paulo

Na cidade de Taubaté está o sítio de Visconde de Tremembé, avô materno de um dos maiores nomes literários do Brasil. O Museu Histórico, Folclórico e Pedagógico Monteiro Lobato foi criado em 1958 para homenagear o criador do “Sítio do Pica Pau Amarelo”. A casa, feita de taipa de pilão, está rodeada de árvores frutíferas, pastos, matas, ribeirão e cachoeira. Recebe prioritariamente o público infantil, que participa de atividades, visitas teatrais monitoradas pelos personagens do Sítio e conhece mais sobre o autor.

Na cidade que leva seu nome, porém, é que está a Fazenda Buquira, sua propriedade. O casarão de 18 cômodos foi construído em 1880 e possui um museu histórico aberto ao público.

Casa Jorge Amado – Bahia

No centrinho de Ilhéus estão algumas joias históricas como a casa onde o escritor passou parte da infância e adolescência. O palacete neoclássico foi construído por seu próprio pai em meados de 1920 numa área de 600 m². A estrutura conta com lindos azulejos ingleses e piso de jacarandá, uma madeira nobre. No endereço funciona uma exposição permanente de roupas, fotos, histórico dos pais e da infância, além de vídeos sobre o escritor.

Foto: Brunella Nunes/equipe QCV

Casa Rubem Braga – Espírito Santo

Em Cachoeiro de Itapemirim viveu boa parte da família Braga, desde o primeiro prefeito da cidade, o coronel Francisco Braga, até o cronista Rubem Braga e seu irmão, o poeta e jornalista Newton Braga. A casa, tombada em 1985, foi transformada em biblioteca e depois passou por anos de restauração, até reabrir em 2017 como um museu. Continua com 20 mil livros no acervo, além de fotos, mobiliário pessoal, um salão para pesquisas e manuscritos dos irmãos.

Casa de Carlos Drummond de Andrade – Minas Gerais

Em Itabira, cidade natal de Carlos Drummond de Andrade, está boa parte do legado do poeta. O sobrado colonial do final do século 19 com 32 cômodos pertencia a seu bisavô, mas abrigou o escritor dos 2 aos 13 anos de idade, que representa o local no poema “Casa“. Hoje, funciona como centro cultural e acervo, contando com alguns objetos pessoais, como a primeira máquina de datilografia que teve, coleções de cartas e fotografias, prêmios literários e obras de arte feitas em sua homenagem. O local integra o roteiro Caminhos Drummondianos, que mostra lugares dos quais ele já citou em seus versos.

Casa de Graciliano Ramos – Alagoas

Um dos maiores romancistas brasileiros, Graciliano Ramos viveu e começou boa parte de suas obras, como Caetés, numa casa em Palmeiras dos Índios, cidade onde também foi prefeito. Em 1973, o local passou então a abrigar seu memorial, contando com os originais de algumas obras, fotos, documentos, vestuário, máquina de escrever, manuscritos políticos e objetos utilizados no filme “Vidas Secas”. O espaço é aberto ao público, mas em breve passará por uma restauração.

Casa Guimarães Rosa – Minas Gerais

O escritor João Guimarães Rosa nasceu e passou a infância numa casa em Cordisburgo, construída nos séculos 19 e 20, onde seu pai mantinha uma venda. O comércio funcionou até 1923 e depois passou por outros proprietários, até que o último a vendeu para o governo de Minas. Em 1974 se instalava o museu com aproximadamente 200 peças e 1.200 documentos que registram a vida e obra do escritor. Objetos pessoais, vestuário, utensílios domésticos, mobiliário e fragmentos de suas outras atividades, como médico, diplomata e pecuarista.

Casa de Hilda Hilst – São Paulo

Na cidade de Campinas está a chamada Casa do Sol, onde viveu a escritora Hilda Hilst. Construída em 1965 a mando da autora, ali ela viveu intensamente até a sua morte, em 2004. O local era frequentado por intelectuais e pensadores como Caio Fernando Abreu, Lygia Fagundes Telles e César Lattes. No ano seguinte de sua morte se criou um instituto homônimo, focado em memória e pólo de criação artística. Em seus 800 m² se veem elementos que mostram quem foi essa grande mulher, livre e profunda em sua existência. Os ambientes resumem uma pequena parte de sua obra e revelam sua essência: “…e o que foi a vida? Uma aventura obscena, de tão lúcida”.

Casa de Clarice Lispector – Pernambuco

Ao redor da praça Maciel Pinheiro, em Recife, há não só uma estátua da escritora Clarice Lispector, como também a casa onde a ucraniana passou a infância. O imóvel de número 387, datado em 1913, amargou abandono durante muito tempo até que, enfim, o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, se comprometeu a tombá-lo, em julho de 2017. O sobrado de três andares onde a escritora viveu entre 1925 e 1937 será revitalizado e, quem sabe, aberto ao público.

Foto: Nando Chiappetta

Fundação Gilberto Freyre – Pernambuco

Bem diferente do destino da casa de Clarice, a Casa-Museu Magdalena e Gilberto Freyre também fica em Recife e abrigou o escritor por mais de 40 anos. Chamada de Vivenda Santo Antonio de Apipucos, a construção do século 19 foi reformada em 1881 e segue muito bem preservada. O acervo conta com objetos colecionados pela família, como peças africanas, imagens sacras cristãs, azulejos portugueses, pratarias, porcelanas orientais, inúmeros livros e uma pinacoteca. Está aberta ao público e recebe grupos.

Museu Érico Veríssimo – Rio Grande do Sul

Em Cruz Alta, a 350 km de Porto Alegre, ainda está de pé a casa onde Érico Veríssimo nasceu e morou. Após revitalização, hoje se consolida como um dos principais pontos da cidade, numa esquina da Av. General Osório. Transformada em museu, abriga em seu acervo os originais de várias obras do autor, as plantas das cidades de Antares e Santa Fé, a primeira máquina de escrever, os óculos e inúmeras fotos, incluindo uma com o maestro Heitor Villa Lobos.

Casa de Manuel Bandeira – Pernambuco

Também em Recife viveu o poeta Manuel Bandeira, mais precisamente em uma casa na rua União, onde ficou dos seis aos 10 anos de idade. O casarão neoclássico de 1825 era de seu avô e inspirou muitos de seus versos, como se lê em “Evocação do Recife“. Atualmente abriga o Espaço Pasárgada, centro cultural que conta com um acervo completo das obras do escritor, sua biografia e vídeos, além de uma sala de estudos literários e uma pequena biblioteca de literatura pernambucana.

Casa de Stefan Zweig – Rio de Janeiro

Entre as serras e vales de Petrópolis está a casa de Stefan Zweig, a 813 metros acima do nível do mar. Ali o austríaco se refugiou por cinco meses na companhia da segunda esposa, Charlotte Altman, até o final infeliz de sua história no Brasil (e no mundo), pois suicidaram-se juntos. Apesar da tragédia (da qual há controvérsias), o local foi também onde ele finalizou algumas coisas, como a autobiografia “O mundo que eu vi“, o conto “Uma partida de xadrez”, e ainda esboçou o “Montaigne“. Há planos de restaurar e modernizar o museu. 

Casa de Elizabeth Bishop – Minas Gerais

A poetisa norte-americana Elizabeth Bishop chegou ao Brasil em 1951 e não pretendia ficar muito. Mas seu coração ficou dividido entre Rio de Janeiro e Minas Gerais, mais precisamente na cidade de Ouro Preto, com a qual criou uma íntima relação. Ela viveu numa hospedaria e em duas casas, sendo a segunda delas, chamada de Casa Mariana, que hoje pertence à amiga dela, Linda Nemer. Não é aberto para visitas, mas pode ser visto pelo lado de fora.

No Rio, morou na Casa Grande da Fazenda Samambaia, em Petrópolis, com a arquiteta e urbanista Maria Carlota Costallat de Macedo Soares. Hoje o local abriga um instituto com o nome de Lotta.

Casa de Rui Barbosa – Rio de Janeiro

Uma das mais belas residências dessa lista, a casa de Rui Barbosa abrilhanta o bairro de Botafogo. O jardim é uma das poucas áreas verdes do bairro, contando com árvores plantadas pelo escritor, como  lichia, jambeiros, mangueiras, abieiros, um pé de fruta-pão e a pitangueira. Muito bem preservado, o museu é uma fonte de informação sobre seu legado e também sobre o modo de vida do final do século 19 e início do século 20. 

Casa de Jorge Amado e Zélia Gattai – Bahia

Comprada em 1960 com dinheiro da venda dos direitos do livro “Gabriela, Cravo e Canela”, a casa de Jorge Amado na rua Alagoinhas, em Salvador, já recebeu muitas visitas ilustres, como dos cineastas Roman Polanski e Glauber Rocha, o compositor Tom Jobim, o poeta Pablo Neruda e os escritores Sartre e Simone de Beauvoir. Foi neste endereço que ele viveu na companhia de Zélia Gattai por cerca de 40 anos, e foi fruto do livro “Casa do Rio Vermelho”. Em 2014 se transformou no Memorial a Casa do Rio Vermelho, levando ao público todo o seu legado. Esse é um dos melhores museus em termos de infraestrutura, acervo e administração.

Post por Brunella Nunes
Fotos: divulgação

Quando não está viajando pelo mundo, está viajando nas ideias.

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