Em tempos de sustentabilidade, pode ser bem inspirador visitar um espaço transformado a partir da sucata. Assim é O Velhão, um enorme complexo de restaurantes e relíquias em São Paulo, que se mantém importante mesmo após mais de 40 anos de abertura e longe do caos urbano. 

O espaço de 57 mil m² em plena Serra da Cantareira atrai moradores de toda a cidade, do país e do mundo para verem de perto tudo o que o engenheiro mecânico Moacyr Archanjo dos Santos e sua esposa, Dona Iracema, ergueram com materiais reaproveitados para formar O Velhão.

Foto: Brunella Nunes/Equipe QCV

São vários edifícios construídos ao longo do tempo com tijolos, janelas, portões, pisos e objetos oriundos do descarte de obras paulistanas, o chamado material de demolição que, para a família, vale tanto que ergueu um pequeno império. O resultado é bonito de ver, mostrando o quanto podemos ressignificar e reinventar aquilo que o outo descarta. 

Bucólico e pitoresco, o espaço ainda comandado pela mesma família tem cara de cidade cenográfica. Logo na entrada já nos deparamos com construções rústicas de tijolinho à vista, floreiras, plaquinhas e labirintos, que poderiam estar em algum vilarejo da Itália

Se perder por ali é quase uma ordem e o caminho vem permeado por surpresas, seja por uma escultura antiga curiosa ou por ter encontrado algum estabelecimento para espiar. Seguindo pela via principal rodeada de lojinhas, numa pequena ladeira com um Cristo Redentor no final do corredor, se chega ao restaurante As Véia, que é o principal do lugar.

Foto: Brunella Nunes/Equipe QCV

Dividido em três ambientes que acolhem até 680 pessoas, o espaço serve comida de fazenda no fogão a lenha, com almoço de domingo a domingo em um variado buffet à vontade (R$ 44,00 por pessoa), além de café da manhã colonial aos domingos (R$ 35,00 por pessoa*). Entre as opções estão pratos do dia a dia, como estrogonofe, feijoada, carne de panela, panqueca, omelete e mandioca frita. 

Além do restaurante principal há outras opções: uma cachaçaria, uma cervejaria, uma pizzaria, um bar de sinuca e outro de música ao vivo.

Foto: Brunella Nunes/Equipe QCV

*Café da manhã colonial tem gratuidade para crianças até 5 anos; de 6 a 11 anos pagam metade do valor.

Foto: divulgação/O Velhão
Foto: Brunella Nunes/Equipe QCV

O cheirinho de pão de fabricação própria se espalha pelo ar. Já os olhos dos clientes são conduzidos por inúmeros detalhes que compõem os salões, decorados com antiguidades, plantinhas, portas e janelas de ferro enormes. Uma agradável área externa, com mesas de mosaicos e muito verde, forma um jardim digno de contos de fadas. 

As grades que compõem o complexo d’O Velhão chamam tanto a atenção que podem ser reproduzidas sob encomenda. A serralheria da família também se inclui entre os pontos de visitação. O local já restaurou e produziu inúmeras portas, portões, gazebos, suportes, grades com rebites, encaixes e ornamentos feitos na forja, sem soldas, seguindo a tradição do início do século passado.

Foto: Brunella Nunes/Equipe QCV

Outro legado que seu Moacyr deixou é a marcenaria, que restaura, remodela e confecciona materiais de demolição em madeira nobre, como Pinho de Riga, Cabriúva, Peroba Rosa e Perobinha do Campo, que costumam ter entre 100 e 150 anos de idade.

Além disso, os Archanjos também cumpriram um papel social importante na região, um tanto afastada do centro de Mairiporã. Eles cederam um terreno de 20 mil m² logo em frente para a construção de uma capela, um posto de saúde e uma escola pública que atende 200 crianças com idade de 3 a 10 anos.

Visitar O Velhão é descobrir um mundo de infinitas possibilidades. É repensar o consumo, renovar as energias, se inspirar, reunir pessoas queridas e manter viva a história de uma família simples que ergueu um reino para chamar de seu, a base de amor, ações comunitárias e sucata.

Foto: Brunella Nunes/Equipe QCV
Foto: Brunella Nunes/Equipe QCV

Vai lá n’O Velhão!

Estr. Municipal Prefeito Dr. Sarkis Tellian, 3.000 – Jardim Samambaia, Mairiporã — SP

Durante a pandemia do coronavírus, o espaço está funcionando todos os dias para o almoço do 12h ás 16h, e para compras das 8h às 17h. Aos sábados funciona das 12h às 16h. Aos domingos e feriados abre para o café da manhã, com entrada permitida das 9h às 11h; e para almoço, das 12h às 16h.

Para maiores informações consulte o site oficial.

Foto: Brunella Nunes/Equipe QCV
Foto: Brunella Nunes/Equipe QCV
Foto: Brunella Nunes/Equipe QCV
Foto: Brunella Nunes/Equipe QCV

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