Já parou para pensar quantos números cabem numa simples xícara de café? Houve um período em que o grão chegou a ser considerado o “ouro negro” do país, representando 70% do PIB nacional brasileiro. Essa e outras informações preciosas se reúnem no Museu do Café, instalado em um dos edifícios mais lindos de Santos, onde antes funcionava o centro de comercialização, bem pertinho do porto.

Basta caminhar no belíssimo (e não tão preservado) centro antigo de Santos para se deparar numa equina da rua XV de novembro com um imponente edifício eclético, um misto dos estilos clássico e barroco. Do outro lado, na Rua Tuiuti, está a Torre do Relógio, a 40 metros de altura. É ali que fica a chamada Bolsa Oficial de Café -  nome ainda visível na fachada  - , onde eram realizadas negociações das sacas diárias de café que chegavam pelo mar.

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O imponente edifício do Museu do Café em Santos – Foto: divulgação/Museu do Café

Museu do Café

Desde 1998 o espaço funciona como instituição cultural, idealizada para preservar e propagar a história do café no Brasil e no mundo. Além de documentos e objetos históricos, conta com recursos modernos e multimídia, que tornam o passeio bem interessante e enriquecedor ao longo dos ambientes expositivos.

Ao chegar, a primeira coisa encontrada no Museu do Café é a loja de lembrancinhas, o estúdio de fotos e a cafeteria, que vende os cafés de marca própria, além de lotes especiais de estados produtores, como Minas Gerais e Espírito Santo. Além de apreciar a bebida quentinha, também é possível provar o grão em sobremesas, no brigadeiro e no sorvete de café da casa.

O tour, porém, se inicia no Salão do Pregão, rodeado por 81 cadeiras de madeira maciça, telas enormes do pintor Benedito Calixto e um belíssimo vitral, que retrata “A Epopeia dos Bandeirantes” reluzindo no teto. Na década de 1920, era o coração não apenas do prédio, mas da região central da cidade, que pulsava a cada cotação. Os pregões funcionaram até 1950.

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Foto: divulgação/Victor Hugo Mori
Foto: divulgação/Karina Frey

Na outra sala estão exemplares de pés de café, apresentando as características morfológicas da planta, e ferramentas e maquinários utilizados nas antigas plantações. Entre os aparatos estão o moedor de café, o rastelo, o pilão, a peneira de vime e uma miniatura de beneficiadora, máquina que descascava o fruto e os selecionava por meio de uma peneira. O objeto é original de época, visto que a versão pequenina era uma amostra utilizada por vendedores.

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Foto: Brunella Nunes

Vale a pena conhecer a sala de vídeo, que faz projeções muito bonitas pelas paredes e traz imagens do processo da colheita ao café que chega à mesa.

Interatividade e projeções na parede são parte do Museu do Café – Foto: Brunella Nunes

Subindo os degraus, os visitantes se deparam com frases de autores diversos respondendo à pergunta: o que o café te faz lembrar?. Uma das mais bacanas é a de Neiva Pavesi: “Das coisas boas da Vida. Do vício que é prazeroso. Das mãos que plantam e colhem a delícia que me acalma e satisfaz.”

Passado os degraus, podemos conhecer toda a história do café por meio de painéis cronológicos, ricos em informações, que vão do colonialismo aos anos 2.000. Muito se aprende sobre comércio, política, trabalho escravo, economia e a cultura criada ao redor do café, que cumpre em sua essência um importante papel social até atualmente.

É por lá que descobri, por exemplo, que a primeira cafeteria paulistana surgiu em meados de 1850 e se chamava “Café da Maria Punga”. Reunindo fregueses em sua própria casa, zero sofisticada, na Rua da Imperatriz, a quituteira Maria Emília Vieira foi uma mulher negra que torrava e moía os próprios grãos em um pilão para servir a bebida coada em três xícaras. Mulher empreendedora e pioneira! Mas, é claro, não enriqueceu com seu talento.

Desenho histórico no acervo do Museu do Café – Foto: Brunella Nunes

Uma outra sala mostra por meio de áudios, fotos, textos e objetos como funcionava o trabalho dos corretores de café, responsáveis por intermediar a venda entre fazenda-porto-pessoas, e os classificadores de café, que fazia a avaliação dos grãos e sabia as preferências de cada importador. Bem legal parar um tempinho para ouvir nos headphones os antigos trabalhadores contando sobre seus extintos ofícios.

Na ala de mostras temporárias, a cenografia segue nos pegando pela mão com seus toques de interatividade. Até o mês de outubro está em cartaz “Calixto: discurso do progresso e identidade paulista” e Pianistas de armazém: trabalho feminino na catação de café.

Na primeira, uma reprodução de uma das telas do artista ganha vida, servindo de pano de fundo para fotografias. Já a segunda tem diversos depoimentos de mulheres trabalhadoras, que muito fizeram pela produção cafeeira e pouco ganharam.

Foto: divulgação/Ian Lopes

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Foto: divulgação/Ian Lopes

Com tanta coisa para ver, olhar e sentir, o Museu do Café (e o centro velho de Santos) oferece uma saborosa viagem no tempo, bem encorpada, com fundo adocicado, aroma suave e uma sensação quentinha no coração. ☕

Foto: Brunella Nunes
Foto: Brunella Nunes
Foto: Brunella Nunes

Educativo

O Museu do Café é não apenas um centro de referência, como também um Centro de Preparação de Café. Lá são ministrados cursos e oficinas para difundir o conhecimento sobre o preparo da bebida, indo desde um ensino mais básico, para quem quer aprimorar o cafezinho caseiro, até o nível profissional, direcionado aos baristas.

Alguns encontros são, inclusive, gratuitos, como é o caso do encontro introdutório Dica do Barista, que traz informações essenciais para os coffee lovers. Já os direcionados à profissão custam entre R$ 200 e R$ 800.

Outro lado bom do setor educativo é que são oferecidas visitas orientadas e temáticas, além de diversas atividades que desenvolvem a percepção do público. Aos sábados, o Museu fica mais animado com a presença de músicos e a oferta de degustações de café gourmet.

Museu do Café tem cafeteria com grãos próprios – Foto: divulgação/Museu do Café

Passeio de bonde

Além de oferecer uma riqueza de informações, o Museu do Café também tem um passeio de bonde temático. O veículo para até 24 passageiros conta com ar condicionado, acesso para pessoas com deficiência, estrutura para preparação de café coado, mesas e cadeiras para acomodação e degustação gratuita de café gourmet ao longo da viagem pela cidade. Não é incrível?

As saídas da Estação Valongo acontecem apenas aos finais de semana, em horários específicos. Anota aí para não perder!

  • às sextas, das 13h30 às 16h30, a cada uma hora;
  • aos sábados, das 11h50 às 16h50, a cada uma hora;
  • aos domingos, das 12h30 às 16h30, mantendo o mesmo intervalo.
Foto: divulgação/Isabela Carrari

Quanto Custa

Os ingressos para entrar no Museu do Café custam R$ 10, com meia-entrada para estudantes e pessoas da terceira idade. Gratuidade para funcionários da rede pública do Estado de São Paulo são isentos e aos sábados para o público geral.

O passeio de bonde custa R$ 7 por pessoa, com degustação inclusa. Mais informações pelo telefone (13) 3201–8000 - Secretaria de Turismo de Santos ou no site oficial.

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Detalhes históricos do Museu do Café em Santos – Foto: divulgação/Ian Lopes
Foto: divulgação/Museu do Café

*Foto em destaque no topo da página: Daniel Guimarães/A2IMG

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