A história romana conta que Claudio, o primeiro imperador nascido fora das fronteiras da península itálica, nasceu em Lyon, então capital da Galia, no ano 10 a.C. A então colônia, havia sido fundada em 43 a.C. pelo exército de Julio Cesar e se desenvolveu em razão de sua localização mais que privilegiada: próxima dos limites itálicos, no caminho para o norte da Europa, se tornou um importante entroncamento das principais estradas gaulesas. Além dos caminhos por terra, os rios Ródano e Saône cruzam a cidade rumo ao sul, partindo de lá até o mar Mediterrâneo.

Ruela da cidade, à noite. Foto: Pedro Szekely

A herança imperial contrasta com o clima leve e descontraído da cidade, cheia de jovens universitários, com uma vida noturna que ferve mesmo durante a semana. As ruínas do Teatro Galo-Romano, em pé desde 15 a.C., recebem ainda hoje shows e concertos. É preciso subir para chegar até lá, por isso pegar o funicular em direção a Saint-Just e descer na estação Minimes garante mais conforto e economiza tempo — e fôlego.

O Teatro Galo-Românico segue sendo palco de espetáculos ainda hoje. Foto: Vincent Bloch

O museu do théâtre guarda, entre outras relíquias, um discurso proferido pelo imperador Claudio ao Senado Romano, em 48 d.C. Gravado em bronze, o texto versa, entre outros temas, sobre a integração dos estrangeiros no império (anos mais tarde, outro imperador natural de Lyon, Caracala, instituiu a cidadania romana a todos que habitavam as terras imperiais, com exceção dos deditícios, peregrinos que não haviam assinado o tratado de paz com Roma).

A basílica brilhando muito na noite de Lyon. Foto: Jean-Raphaël Guillaumin

É só caminhar dez minutos para chegar à basílica Notre Dame de Fourvière, que, apesar de grandiosa e de ser a vedete lionesa, não é a principal da cidade. Os vitrais chamam a atenção, assim como a fachada, que tem a estrutura entre suas torres arredondada. À noite, a construção brilha sozinha, linda, no topo da colina de Fourvière.

Detalhe da Basílica Notre Dame de Fourvière. Foto: Harshil Shah

É bem mais fácil descer da basílica em direção ao bairro de Vieux Lyon. Um pulinho na rue Saint-Jean, via comercial estreita e exclusiva para pedestres, é outra boa mostra da antiguidade da cidade. No número 24, em uma casa da metade do século 16, fica o Le Laurencin, um dos bouchons famosos da cidade. Essa categoria de restaurante lembra um pouco as cantinas, graças aos ambientes informais onde comida típica da cidade, um mix de pratos dos tecelões com os da nobreza local, é servida. No Laurencin, vá de brioche recheado com linguiça típica lionesa, que vem acompanhado de batatas gratinadas. Para sobremesa, os profiteroles, servidos em um pratão, são ótimos para dividir.

No centro antigo, alguns dos muitos bouchons de Lyon. Foto: Guillaume Baviere

Ainda em Saint-Jean, vale dar uma passadinha na Péchés Gourmands, tradicional loja de biscoitos. O bom mesmo é provar vários, mas os docinhos do tipo mantécaos, polvilhados com canela, e navettes, aromatizados com flor de laranja, são imperdíveis. A catedral de São João Batista fica a um pulinho dali— a apenas três minutos de caminhada. A construção de estilo gótico, que começou a ser erguida em 1175 e que foi finalizada quase 300 anos depois, conserva um artefato interessante em seu interior, um relógio astronômico do século 14 — ele toca quatro vezes à tarde, de hora em hora, a partir das 12h.

Vista da praça Bellecour, com Luis 14 pairando sobre seu cavalo, na estátua mais icônica da cidade. Foto: Bastien Deceuninck

Atravessando o rio Saône — o caminho pela ponte Bonaparte, que rende bonitas fotos das margens e das construções em seu entorno, leva pouco mais de dez minutos — fica o marco zero da cidade, a espaçosa praça Bellecour, um terrenão sem pavimento ou calçadas cercado por prédios baixinhos, datados do século 19. A estátua de Luis 14 paira gloriosa e solitária em seu centro.

De volta ao lado de lá do Saône, fica o Jardin des Curiosités, parque alto que revela a melhor vista de Lyon (a de Notre Dame de Fourvière está no páreo também), imperdível no fim da tarde.

Perspectiva de Croix-Rousse. Foto: Jeanne Menjoulet

Para chegar ao descolado bairro de Croix-Rousse basta pegar a linha C do metrô e se poupar, de novo, da subida. Essa região de Lyon abrigou no passado muitas tecelagens, história que pode ser vista na Maison des Canuts, museu que rememora a verve têxtil lionense. A zona é hoje conhecida por seu mercado, que vende alimentos frescos de terça a domingo na rue de Belfort. O Mur des Canuts, pintura gigante que consegue confundir quem caminha distraído, imita a uma cena cotidiana em três dimensões, dando vida a um muro que antes escondia a cidade.

As famosas traboule, espécie de vias secretas, se espalham pelo bairro: são passagens bem estreitas que ligam uma construção a outra. Mapas em vários sites ensinam como encontra-los, um deles pode ser visto aqui.

Traboules em Lyon. Foto: Peter Meuris

O metrô e o bonde elétrico ligam o norte da cidade ao braço de terra que fica na junção entre o Ródano e Saône — pegue a linha C do metrô até a estação Hotel de Ville, troque para a A e desça em Parrache; de lá, o bonde T1 leva até bem perto da confluência das águas. Bem ali fica a construção mais moderna da cidade, o Musée des Confluences (seu nome, claro, o localiza). A estrutura retorcida de vidro e aço abriga exposições que pendem tanto para a área das ciências quanto para as das humanidades.

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