Em uma das maiores cidades do interior de São Paulo existe um lugar que parece ter parado no tempo. Distrito de Campinas, Joaquim Egídio ainda mantém um clima típico de roça, com suas ruas de paralelepípedos, edifícios baixinhos dos séculos passados e uma vida que passa mais devagar.

Apenas 100 km separam a capital e a pitoresca região que se moldou na cafeicultura até meados de 1920. O nome do distrito presta homenagem a um dos grandes barões de café, que foi marquês de Três Rios. Hoje ainda reúne pequenas plantações em apenas duas fazendas.

Entre seus atrativos está a antiga ferroviária, desativada desde a década de 60, mas com o charme mantido a base de uma reconstrução feita nos anos 2.000 a partir de suas ruínas.

Foto: Wilsom Severino
Foto: Eduardo Hanazaki
Foto: Osvaldo Natal Forcelli

Além de observar as construções históricas de arquitetura colonial que permeiam o local, os visitantes contam com boas opções gastronômicas nos arredores. Confira abaixo algumas dicas de passeios em Joaquim Egídio.

  • Paioça do Caboclo: misto de casa noturna sertaneja e restaurante, o espaço na Estrada das Cabras tem como especialidade as carnes e legumes assados no fogo de chão. O almoço de domingo é preparado em fogão a lenha e servido em buffet com moda de viola ao vivo para acompanhar.
  • Bar da Cachoeira: conhecido por ciclistas e aventureiros, o bar escondido dentro uma fazenda é um dos lugares mais agradáveis para reabastecer as energias. O menu conta com saladas, petiscos, comida caseira, massas, risotos e frutos do mar, com destaque para a casquinha de salmão e o camarão Cachoeira, risoto preparado com vinho branco, água de coco, camarão e queijos, servido dentro da casca do coco verde. Espaço Kids e passeios a cavalo são outros atrativos do estabelecimento.
Foto: divulgação
  • Estação Marupiara: os frutos do mar são carro-chefe na casa ao lado da estação de trem. Os pratos são elaborados por uma chef viajada que se entregou aos sabores nacionais. O bistrô com mesas ao ar livre tem toques de brasilidade e sofisticação em sua proposta, agradando famílias que se reúnem aos finais de semana e casais em busca de momentos de intimidade. Possui brinquedoteca e sessões de filme com jantar como parte da programação cultural.
Pirarucu defumado com risoto de aspargos e presunto parma – Foto: divulgação
  • Café Maritaka: especializado em café da manhã e brunch, a charmosa cafeteria com mesas no jardim abre apenas aos sábados e domingos. Entre as delícias do menu estão queijo quente no pão de milho, foccacias e Croque Monsieur, além de bolos, tortas, sucos naturais e cafés especiais. O espresso pode ser acompanhado pelo bolo de banana fit, feito com melaço de cana, nozes e passas.
  • Vila Paraíso: localizado numa densa área verde com remanescentes da Mata Atlântica, o restaurante italiano da família Barreira acolhe quem deseja sair da rotina. Produtos naturais e frescos ditam as regras na cozinha, que destaca massas, risotos, peixes, frutos do mar e carnes entre as preparações. Do forno sai o risoto de queijo Tulha (Fazenda Atalaia), aspargos e crocante de parma; e o pirarucu da Amazônia com arroz com castanha de baru e farofa de pequi.
    Experiências diferenciadas são oferecidas na programação noturna. Há noites de jazz, de paella e de fondue.
Foto: divulgação
  • Bar do Marcelino: o endereço boêmio com 32 anos de tradição não pode ficar de fora do roteiro. Com nessas na calçada e comida “de vó”, o bar fez fama com o clima descontraído e pratos caseiros bem feitos. Abadejo ao molho de camarão, feijoada e tutu de feijão estão entre os destaques da casa.
  • Armazém da Estação: com comida mineira e caipira preparada no fogão à lenha, o restaurante proporciona refeições ao ar livre em um agradável jardim. As crianças podem brincar no Espaço Kids. Além do buffet, tem opções veganas à la carte.
Foto: divulgação
  • Fazenda das Cabras: a propriedade de 1820 se dedicou à criação de gado e também colheu os frutos do café, quando o grão estava no auge econômico. O que ficou daquele tempo foi a ambientação colonial e a hospitalidade, funcionando como espaço de eventos sustentável.
  • Fazenda Floresta Park: localizada em Sousas, ao lado de Joaquim Egídio, a fazenda de 1830 se destaca pelo farto café da manhã colonial produtos da fazenda servido em buffet a vontade e pelo almoço a la carte, com preparo de costela em fogo de chão, carnes dry aged e opções vegetarianas. Também oferece kit de pic nic, trilhas de mountain bike e visitas à mini-fazendinha e horta orgânica.
Foto: divulgação
  • Fazenda Atibaia: erguida em meados do século 18, a fazenda onde morou Brigadeiro Luís Antônio e Barão de Limeira fez fortunas ao produzir café e açúcar, dois itens indispensáveis na mesa do brasileiro comum. Foi restaurada em 2005 por um grupo de investidores e atualmente funciona como ponto turístico
  • Fazenda Bonfim: patrimônio cultural de Campinas, a fazenda é uma das únicas que ainda produz café na região. É o ponto mais alto de Campinas, mas não desenvolveu nenhuma atividade turística, podendo ser vista apenas de fora.
  • Ateliê Glória Queiroz: peças de cerâmica feitas à mão são vendidas neste encantador espaço montado pela artista, que cria de forma espontânea. Mandalas, utilitários, decoração de jardim e luminárias podem ser adquiridas. Chama a atenção as peças que imitam a renda frivolité, popular entre as mulheres do distrito vizinho, Sousas, mas que na verdade são moldadas em barro.
Foto: divulgação

Para aventureiros

Joaquim Egídio também reserva boas aventuras e contato com a natureza. A Área de Proteção Ambiental de 222 km², composta 60% de vegetação nativa e fragmentos de Mata Atlântica, oferece trilhas, um circuito de ciclismo com 26 km de extensão e até um viveiro que produz 102 espécies nativas para restauração de áreas degradadas.

Passeios de quadriciclo na mata e roteiros para ciclistas também se incluem entre as atividades de lazer. Há diversas trilhas para os amantes de bike, cruzando fazendas, rios cristalinos e relevos únicos. Existe um mapa muito bem feito no Facebook, que acaba auxiliando bastante os viajantes em duas rodas.

Foto: Allan Rezende
Foto: Cesar Negreiros

No Parque Pico das Cabras, que fica a a 1.080 metros de altitude, o público fica mais perto do céu. Explico: lá está o Museu Aberto de Astronomia, que oferece vista para noites estreladas em um astro teatro ao ar livre com capacidade para 80 pessoas. O local conta ainda com antenas de radiotelescópio que captam radiações emitidas pelos corpos celestes.

Há um espaço expositivo que aborda a relação ao mundo e universo através dos séculos, trazendo temas que vão do Big Bang à ciclos lunares. Já o planetário proporciona um espetáculo imersivo com projeções numa cúpula de 12 metros de diâmetro. 

Ao todo são 220 quilômetros de estradas vicinais sinalizadas que abrangem os municípios de Campinas, Amparo, Jaguariúna, Pedreira, Morungaba e Itatiba.

Pedra da Águia e Pedra da Agulha compõem o cenário do parque – Foto: Cesar Negreiros

Conta ainda com um mirante e atividades de bio-integração, como observação de pássaros, borboletário, formigário e trilhas guiadas no interior da floresta onde vivem 862 espécies de animais.

Foto: Cesar Negreiros

A 12 km do centro do distrito, o Observatório Nacional de Campinas e o Planetário do Museu Dinâmico de Ciências de Campinas (MDCC) são outras opções para desbravar os mistérios de galáxias distantes.

Foto: Prefeitura de Campinas

Como chegar em Joaquim Egídio

O distrito está a cerca de 17 km do centro de Campinas, interior de São Paulo. O acesso é pelas rodovias Heitor Penteado e SP 81, conhecida também como Estrada das Cabras.

A cidade também conta com o Aeroporto Internacional de Viracopos, encurtando as distâncias. O Terminal Rodoviário Ramos de Azevedo recebe os viajantes de ônibus.

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