É difícil ter noção da grandiosidade da Amazônia, mas saiba que ela ocupa 7 milhões de km² do mapa, dos quais 5 milhões são reservados exclusivamente para a majestosa floresta tropical. Depois do Brasil, é a Amazônia Peruana que detém a segunda maior parte da selva, se espalhando por 60% da território do país, ocupando o leste das montanhas dos Andes, pegando cidades como Iquitos, Nauta, Rioja e Puerto Maldonado.

São inúmeras as belezas da região privilegiada, passando por extensos rios, gigantescas cataratas, sítios arqueológicos, matas densas, águas termais, microclimas e espécies diversas da flora e da fauna, como o urso andino e o galo-da-serra. Porém, agora vem o choque de realidade. Tudo isso segue à risca da mesma situação do nosso país: constantemente ameaçado pela extinção, o Amazonas do Peru perde o equivalente a mais de 110 mil campos de futebol com o desmatamento.

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Em 2017, o número de hectares perdidos para a agropecuária, o narcotráfico, o corte ilegal de árvores e a mineração clandestina chegou a 143 mil hectares, ou 200 mil campos de futebol. Para deixar o cenário ainda mais caótico, em dezembro vazaram 8000 barris de óleo da floresta, causando uma das piores catástrofes ambientais da região. Tristeza é mato. O choro é livre.

Para os viajantes que querem aproveitar um pouco do que ainda resta, é importante lembrar da existência várias áreas de visitação, causando uma certa desorientação na hora da escolha. As principais portas de entrada no mundo mágico da Amazônia peruana são: Iquitos, Manu e Tambopata. Fica impossível visitar e aproveitar mais de uma opção em pouco tempo de viagem, então reserve pelo menos cinco dias para curtir as maravilhas naturais e tenha em mente o que você deseja fazer, quais experiências quer ter, antes de partir para o abraço.

*ps: esse vídeo é lindo!

Iquitos é a capital de Loreto, ao Norte do país, a única grande cidade do planeta onde não é possível o acesso por estrada, apenas por rio ou via aérea. É também onde passa o rio mais extenso do mundo, o Amazonas, que traz aos visitantes a vantagem de percorre-lo. Nos arredores vivem a população ribeirinha e povoados indígenas, que obtêm seu sustento a partir da pesca, do artesanato e do turismo. É uma boa oportunidade de conhecer as tradições populares e o misticismo local.

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Entre suas exóticas belezas naturais está a Reserva Nacional Allpahuayo Mishana, a cerca de três horas de Iquitos, tem grande apelo científico e biológico devido seus ecossistemas. Em seus 58 mil hectares se preserva a maior concentração de florestas de areia branca conhecida na Amazônia peruana, que tem como principal característica as variedades de espécies endêmicas, com destaque para os primatas Parauaçu e Titi lucífer, além de aves únicas, encontradas apenas neste ambiente, como é o caso da anambé-pompadora.

Ali também se encontram as águas negras do rio Nanay. A partir de seu porto, onde saem muitas embarcações, se alcança à comunidades étnicas e camponesas como a Boras de San Andrés, Padre Cocha e Manacamiri, que recebem os turistas para darem amostras de suas peculiaridades e costumes.

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Já a Reserva Nacional Pacaya Samiria, trecho a 183 km da capital, se espalha pelas províncias de Loreto, Requena, Ucayali e Alto Amazonas. É um lugar para quem gosta de água, pois está cercada pelos rios Marañón e Ucayali-Canal de Puinahua, contando ainda com três bacias hidrográficas, lagoas e ser o habitat dos raros botos-cor-de-rosa.

A fauna se expande para outros 101 mamíferos, inclusive ameaçados de extinção, como o o macaco-aranha e a tartaruga-da-amazônia, além de répteis, anfíbios, peixes e mais de 1.024 plantas silvestres. Há um grande número de povoados nos limites da área de proteção ambiental, chegando a quase 100 mil pessoas.

Tome nota: para ter acesso à reserva é necessário solicitar a permissão do Servicio Nacional de Áreas Naturales Protegidas por el Estado (Serviço Nacional de Reservas Naturais Protegidas pelo Estado) (SERNANP). A rota fluvial até lá leva 15 horas de barco ou 4 horas de lancha.

Na parte urbana, o que se vê em abundância são mansões coloridas, que pertenciam a milionários em meados do início do século 20. Aproveite o passeio longe da selva para visitar o Museu Amazônico, num edifício construído em 1863, que além de ter adereços arquitetônicos de época, conta com um acervo de mais de 80 esculturas de fibra de vidro em tamanho natural, que revelam os principais grupos étnicos existentes na Amazônia do Peru, Brasil e Venezuela, além de fotografias históricas de Iquitos.

Aproveite essa grande expedição para visitar (somente entre 7h30 e 13h), o povoado de Belén, que teve em sua origem, lá no começo do século 20, habitações erguidas sobre balsas de madeira, posteriormente adaptadas para palafitas e pilotis de madeira com até dois pisos. A chuva influencia diretamente na vida cotidiana: quando o rio Itaya enche, a área baixa fica inundada, transformando a região na “Venecia Loretana” (Veneza Loretana). No porto há boas chances de encontrar produtos típicos da selva, comercializados de maneira legal.

Quem sente saudades do litoral pode se esbaldar na lagoa Quistococha, que forma uma praia artificial de água doce, com areias brancas e paisagens bonitas. É parte de um complexo turístico de 369 hectares, entre Iquitos e Nauta, um dos povoados mais antigos da Amazônia peruana, acessado apenas de barco pelo rio Marañón.

Outros pontos de interesse

A cidade de Chachapoyas é daquelas antigas, pitorescas e pouco conhecidas. Regada ao folclore popular, é ideal para quem aprecia a beleza das tradições, mas também lugares históricos, arqueológicos e naturais. No centro se veem casarões coloniais ao redor de grandes praças. É fácil notar a Igreja Virgem da Assunta, padroeira do município, com festa em agosto.

No Museu do Instituto Nacional de Cultura se descobre boa parte das origens Chachapoyas, com a exposição de múmias, cerâmicas, utensílios e objetos típicos, além de reunir peças de outras culturas, como Chimú e Moche.

A ancestralidade fica ainda mais forte ao chegar nos sítios arqueológicos, como é o caso de Kuélap, conhecido como “a segunda Machu Picchu“, foi erguido na era pré-Inca pelos Chachapoyas no topo dos Andes e próximo à floresta. Ao adentrar o que a muralha de 20 metros de altura resguarda, se encontram 420 casa circulares de pedras e outras estruturas, como um sofisticado sistema de drenagem de água das chuvas. O visual a 3 mil metros de altura é, literalmente, de tirar o fôlego.

Tome nota: pegue o teleférico no distrito de Nuevo Tingo, em Luya, para percorrer o caminho de 32 km em apenas 20 minutos. O ingresso custa 20 soles.

Não vá embora sem visitar a Catarata de Gocta, no povoado de Cocachimba, a 44 km de Cachapoyas. Apelidada de La Chorrera, é a terceira queda d’água mais alta do país, com 771 metros de altura num imenso paredão rochoso. O cenário fica ainda mais belo com a vegetação ao redor e a presença de galos-da-serra e macacos.

Sabores da mesa amazônica

Adentrar no mundo a parte que é o Amazonas é também descobrir uma culinária totalmente diferente da nossa. Abra a mente e o apetite para se entregar aos ingredientes locais:

  • Masato: bebida sagrada para o povo indígena, provém da fermentação de mandioca, arroz, abacaxi e milho.
  • Patarashca: peixe envolto em folhas de bananeira-silvestre e assado ao fogo.

  • Salada de pupunha ou palmito: caule da palmeira, também denominada paxiúba.
  • Juane: massa de arroz ao palillo com pedaços de frango, envolta em folhas de bananeira-silvestre e cozida a vapor.

  • Garapa: caldo de cana fermentado
  • Licor de leite: feito com aguardente e soro de leite, é filtrado gota a gota até que fique mais transparente.
  • Inchicapi: sopa de galinha com amendoim, coentro e mandioca.

Onde ficar

  • Tree House Lodge: as únicas cabanas all inclusive da Amazônia, localizadas em Iquitos.

  •  Gocta Andes Lodge: com vista para a cachoeira de Gocta, a 1.800 metros de altitude, próximo a Cachapoyas.

Como chegar

Como falamos anteriormente, a Amazônia é enorme e tudo depende do que você espera dessa viagem para ter uma via de acesso. No caso, focamos mais em Iquitos, que é a região mais desenvolvida turisticamente.

Há voos regulares a partir de Lima (1 hora e 30 minutos), de Tarapoto (50 minutos) e de Pucallpa (1 hora). Em Yurimaguas também existem voos, porém não são frequentes.

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Se optar pela via fluvial, saia de Leticia (Colômbia) ou Tabatinga (Brasil) para percorrer o rio Amazonas até Iquitos. Caso já esteja no Peru, pode optar por viagem de barco pelo rio Ucayali a partir de Pucallpa; ou por Yurimaguas, pelos rios Huallaga e Marañón, com parada em Nauta. Apenas redobre a atenção em relação às “motonaves”, embarcações grandes e lentas, que levam de 4 a 5 dias no percurso.

A única forma de acesso terrestre é a partir de Nauta, a 115 km de Iquitos, o que resulta em 2 horas de ônibus. De barco, o mesmo trajeto leva 14 horas. Saiba mais sobre as operadoras de transportes na região.

A beleza peculiar de Cachapoyas

Fotos: reprodução/Peru Travel e Yakumama Tours

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