A medida em que os anos passam, a estância climática de Cunha fica mais conhecida. Nascida entre as curvas da Serra do Mar, a cidade entre SP e RJ não tem praia, mas a natureza é abundante em cada pedacinho. A tranquilidade e o ar puro que emana das montanhas segue seu fluxo entre propriedades rurais, campos de lavanda, ateliês de cerâmica e charmosas pousadas.
Cunha é um lugar que exige tempo do visitante, seja para percorrer a estrada, onde ficam vários de seus atrativos, ou para contemplar suas paisagens a perder de vista.
Localizada a 1.100 metros acima do nível do mar, faz da altitude uma aliada, que favorece o cultivo de espécies típicas do clima ameno, como cogumelos, olivas e pinhão, que é praticamente o símbolo do município a 230 km de São Paulo e a 307 km do Rio.

Outro ponto crucial que vem dando fama à cidade, coincidentemente desde a publicação no Quanto Custa Viajar, são os lavandários. Os arbustos de lavanda, que tem propriedades terapêuticas e medicinais, enfeitam vários endereços ao redor de Cunha, mas ganharam um apelo maior devido as fotos em campos floridos, publicadas nas redes sociais.
Desde 1975 mantém a tradição ceramista em seu DNA, com mais de 20 ateliês dedicados à arte de esculpir argila. Os artesãos costumam receber visitas e também oferecem cursos aos interessados.
Neste Guia de Cunha, te contamos esses e outros encantos da cidade abraçada por vales verdejantes.
O que fazer em Cunha
A cidade virou praticamente sinônimo de seus campos de lavanda, que trazem aquele gostinho de Provence, região francesa onde as plantas crescem aos montes. A paisagem roxinha com mirante para as curvas das montanhas é realmente digna de horas de contemplação, com uma porção de fotografias, é claro.
O mais conhecido em Cunha é O Lavandário, que proporciona uma verdadeira imersão nas lavandas a partir não apenas das plantações, mas de seus derivados. O local conta com produtos diversos a base da planta medicinal, como sorvetes, chás, óleos e cremes. Na busca por relaxamento, agende uma sessão de massagem para renovar seu bem estar.

Porém, o que muita gente não sabe ainda é que existe uma outra opção, tão legal quanto. O Contemplário cultiva em seu terreno outras espécies aromáticas além da lavanda, como alecrim e capim limão. Da destilaria saem sabonetes, aromatizadores, velas e demais produtos, a venda na loja. Passear entre os campos, fazer pique nique e apreciar um café com direito a uma vista incrível está entre as tarefas do dia.
Não deixe de conhecer a Fazenda Aracatu, lugar muito charmoso que cultiva pinhão. O ingrediente vira matéria prima para delícias diversas, como pesto e pão, além de pratos preparados no fogão à lenha. Queijos e embutidos também fomentam a produção.
As famílias incluem no roteiro o Café Capril, propriedade que cria cabras para produção de queijo. As crianças podem se aproximar dos animais e saber mais sobre eles.

E sabe o que mais vai ganhando público em Cunha? O cultivo de oliveiras, que resulta em azeite. A produção pode ser acompanhada de perto no O Olival, espaço a 300 metros de altitude, que oferece visitas guiadas e cursos de especialização do óleo extraído das azeitonas. Além disso, o local conta com cachaças, envelhecidas em barril de Carvalho e jequitibá rosa. Outra opção é o almoço executivo, com entrada, prato principal e sobremesa. Ou o visitante pode apenas tomar um cafezinho.
Ainda dentro dos passeios que misturam cultivo e gastronomia, existe até mesmo uma Vinícola em Cunha. A Pousada Vale do Vinho começou a implantar uvas do Sul da Itália para produção de vinho artesanal. O espaço também oferece tratamentos de beleza como a vinoterapia, a base de vinho tinto e mosto, que tem propriedades antioxidantes.

A apenas 10 minutos de carro do Lavandário os turistas podem se refrescar no Canto das Cachoeiras, um complexo natural que reúne trilhas com acessibilidade, redário e cachoeiras em meio a uma belíssima paisagem verde. Quem não quiser se molhar pode visitar apenas o bistrô local, que serve delícias como truta com pinhão e buffet de café da manhã aos finais de semana.

Seguindo por outros caminhos se alcançam novas quedas d’água, que exigem clima favorável, evitando quaisquer tipo de acidentes. Uma das mais conhecidas da região é a Cachoeira do Pimenta, que fica ao lado de uma antiga usina hidrelétrica, que hoje é o museu de energia. O acesso é simples, por estrada que se divide em trechos de asfalto e terra.
A Cachoeira do Desterro fica na mesma estrada. Bem volumosa, conta com duas quedas d’água e uma piscina natural. Há ainda a Cachoeira do Mato Limpo, próximo à Pedra da Macela, e a Cachoeira da Paraibuna, de fácil acesso pela rodovia Cunha-Paraty.
Se a sede por trilhas ainda não foi saciada, vá ao Parque da Serra do Mar, que tem infraestrutura turística e três opções de trilha para percorrer. A única autoguiada, porém, é a do Rio Paraibuna, com quase 2 km de extensão. As demais, com 7.700 metros e 14.700 metros, necessitam de guia, havendo a necessidade de agendamento prévio para acessá-las.
A Pedra da Macela é um dos pontos de observação mais famosos do interior paulista. Fica na rodovia que liga Cunha a Paraty e tem sinalização. Do alto de seus 1.840 metros de altitude o público enxerga trechos de Paraty, a baía da Ilha Grande, parte de Angra dos Reis e toda os arredores serranos.
As famílias com crianças podem viver grandes aventuras no sítio Vale Radical, que conta com infraestrutura própria para camping, já com barracas equipadas, oferecendo a experiência de acampar com segurança e praticidade. Além disso, tem roteiros para mountain bike e trilhas até cachoeiras.
Não deixe de prestigiar os trabalhos manuais que tornam Cunha famosa a partir de 1970. As cerâmicas que saem de lá são peças únicas, diferentes e muito bem feitas, como se vê no ateliê da Carol Tsai, que mantém uma adorável lojinha no centro da cidade.
O ateliê Suenaga e Jardineiro faz uso da técnica japonesa de cerâmica, a partir da utilização do forno Noborigama, vindo do Japão. Dos 20 estabelecimentos com esse equipamento no Brasil, seis estão em Cunha. As visitas acontecem todos os dias e há uma mais especial, durante a abertura da fornada. Consulte o site para saber quando será a próxima.

Onde ficar
- Chalé Sabiá | R$ 113 por dia*
- Hostel Caminho do Ouro | R$ 115 por dia
- Pousada Viajantes do Tempo | R$ 120 por dia
- Pousada Vale dos Sonhos | R$ 230 por dia

- Pousada Calu | R$ 250 por dia
- Latitude Lodge | R$ 450 por dia


*preços pesquisados para dois adultos em novembro de 2019, sujeitos a alteração.
Onde comer
Café Moara: espaço charmoso na beira da estrada entre Cunha e Paraty, é uma boa parada para aquele cafezinho. Tortas, bolos, pães e cafés especiais compõem o menu. Há também uma lojinha vendendo produtos artesanais diversos.

Casa do Strudell: quem prova esse strudell jamais esquece. O doce tipicamente alemão composto por finas camadas de massa e recheio de frutas, como maçã e banana, é o que dá fama ao local. É servida com chantilly ou sorvete. O sabor romeu e julieta, e o Mil folhas de cappuccino são opções bem diferentes para você provar.

Do Gnomo: com um chapéu azul e pontudo, o chef Gnomo preparada suas especialidades, envolvendo shitake, cordeiro, truta e pinhão. Alguns pratos são preparados na pedra de sal rosa do himalaia, como é o caso da truta defumada, acompanhada de purê de banana prata, arroz negro e tabule de quinoa. O restaurante é aberto, no meio de um jardim.

Real Café Restaurante: mesas ao ar livre, no gramado, são um convite para aproveitar a refeição sem pressa alguma. O agradável espaço serve caldos, petiscos, massas e comidas típicas da região.
Dona Felicidade: culinária caseira é sinônimo de felicidade. Nesse restaurante familiar, a comida é preparada no fogão a lenha com ingredientes colhidos no quintal ou vindos de pequenos produtores. A casa serve opções do café da manhã ao jantar, com foco em pratos mineiros. Paella de coelho, torresmo e arroz de marimbondo estão entre as especialidades.


La Taverne Bistrô: o restaurante rústico segue as premissas da cozinha contemporânea, com foco em cogumelos e pescados. Conta com pratos bem elaborados, que se renovam a cada estação do ano. No inverno, a pedida da vez foi o ravióli sorrentino recheado com pêra cozida no moscatel, queijo Serrano maturado coberto com pesto de cogumelos, alho negro e pinhão.

Fruto da Serra: quem ama cogumelos não pode deixar de visitar esse lugar. Cultivando shiitakes orgânicos no terreno, o bistrô serve vários pratos com base no fungo fresco, como risoto, quiche, lasanha e até coxinha. Boa pedida para os vegetarianos e para quem viaja junto com animais de estimação, pois o local é petfriendly.

Cervejaria Reale: localizada no centro da cidade, a cervejaria tem 14 tipos de cerveja, incluindo lavanda e pinhão na composição de sabores. Funciona como bar para petiscos, como embutidos, ou dividir uma pizza preparada no forno a lenha.

Cervejaria Wolkenburg: Cunha tem água em abundância e clima favorável para a produção de cerveja. Na Wolkenburg, o público pode acompanhar os processos da microcervejaria artesanal e provar as quatro variedades da bebida.
Pub81: o gastrobar anima as noites de Cunha, com música ao vivo, drinks, choppes artesanais, hambúrgueres e petiscos. Uma caipirinha de limão cravo com manjericão ou cerveja escura pode acompanhar a calabresa artesanal no tacho com polenta cremosa e molho rústico de tomate.

Como chegar em Cunha
O acesso à Cunha a partir de São Paulo inclui duas opções: pela rodovia Presidente Dutra e pelo sistema Ayrton Senna/Carvalho Pinto. Pelo Rio de Janeiro, a Nova Dutra e a Rio-Santos são as rodovias indicadas. A estrada é pavimentada e bem sinalizada.
De ônibus: o caminho de ônibus a partir de São Paulo inclui baldeação. Primeiro é necessário embarcar no Terminal Rodoviário Tietê rumo a Guaratinguetá, com as viações Cometa ou Pássaro Marron. Chegando ao destino final, pule para o ônibus da Viação São José rumo a Cunha.
A partir do Rio de Janeiro, basta pegar um ônibus sentido Guaratinguetá na rodoviária Novo Rio e fazer a mesma baldeação. São cerca de 4h de viagem.
Lugares para conhecer no interior de São Paulo em viagens rápidas
Boa tarde , a estrada de descida pra Paraty está boa ?