Tem coisa mais gostosa do que começar a saborear uma viagem antes mesmo de fazer as malas? É só comprar as passagens para um novo destino que eu já começo a respirar cada detalhe do roteiro. Minha casa vira praticamente um restaurante típico, os livros passam a ser escolhidos a dedo e, é claro, o conteúdo da telinha também acompanha as mudanças. Foi assim que os filmes sobre o México passaram a fazer parte dos meus preferidos.

Antes, durante e depois de viajar para lá, qualquer filme feito no país ou que falasse sobre ele era bem-vindo aqui em casa! Fiz uma reunião de obras cinematográficas para quem já quer se imaginar na viagem, entender mais dos costumes mexicanos e, quem sabe, até mesmo conhecer alguns dos pontos que podem ser visitados no roteiro – veja também tudo que você precisa saber sobre o México.

Roma

Estreia cult da Netflix este mês, a trama se passa na Colonia Roma, na Cidade do México, nos anos 70. A história da empregada doméstica Cleo conquistou o mundo e abocanhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza, além de ser cotada como forte candidata ao Oscar 2019. O filme de Alfonso Cuarón é uma espécie de Que Horas Ela Volta mexicano, visto que retrata os contrastes sociais que se repetem em muitas grandes cidades latino-americanas.

Para viajar sabendo: A Colonia Roma é um bairro de classe média alta. É uma ótima zona para se hospedar na Cidade do México, sendo considerada bastante segura para circular. Na região, há diversos bares, centros culturais e o charmoso Mercado Roma, um espaço gastronômico que promete ser um ótimo programa.

A Ditadura Perfeita

Um filme sobre política que sabe ser engraçado e crítico ao mesmo tempo. Ele se refere várias vezes ao PRI, um partido que governou o país por 70 anos (de 1929 a 2000).

O nome sugere também uma brincadeira: apesar de ser uma das poucas grandes nações latino-americanas a não viver uma ditadura nos anos 70-80, o México esteve sob o comando de um mesmo governo por décadas, o que não parece lá muito democrático. O desenrolar da história reforça a tese ao mostrar que mídia e políticos corruptos podem trabalhar em perfeita sintonia.

Para viajar sabendo: Mexicanos adoram falar sobre política. Conhecer um pouco da história recente do país pode render ótimas conversas – e provavelmente irá terminar em muitas risadas.

O Último Trago

Uma comédia que fala sobre amizade. Em um grupo de quatro amigos de longa data, todos na casa dos 80 anos, um deles morre, mas não sem antes fazer um pedido aos seus companheiros: o trio restante deveria fazer uma viagem à Dolores Hidalgo, em Guanajuato, terra natal do cantor José Alfredo Jiménez. Como não poderia deixar de ser, a trama é embalada por músicas tradicionais mexicanas, como “El Rey”.

Para viajar sabendo: José Alfredo Jiménez é um famoso cantor e compositor mexicano, responsável por grandes sucessos de músicas rancheras – aquelas canções comumente tocadas por mariachis.

Amores Brutos

Primeiro longa do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, muito antes de levar o Oscar por Birdman, Amores Brutos mostra um México cru e violento. Em um cenário que inclui casos de amor, traições e uma forte relação com cachorros, três histórias se cruzam.

Este é também o primeiro filme da “trilogia do caos” (ou “da morte”, como também é chamada) dirigida por Iñárritu, que continua com 21 Gramas e termina em Babel – os dois últimos, produzidos em solo americano.

Para viajar sabendo: Foi a obra que alavancou a carreira de Gael García Bernal, o ator mexicano queridinho de Hollywood (e do mundo!). Ele voltaria a trabalhar com o diretor seis anos mais tarde, em Babel.

O Anjo Exterminador

O espanhol radicado mexicano Buñuel precisava dar as caras nessa lista e, é claro, faz isso com uma de suas produções gravadas no México. O Anjo Exterminador é uma obra surrealista de 1962 que se passa em uma festa da aristocracia. Durante o evento, uma barreira imaginária impede que os participantes deixem o local. Para ser visto como uma sátira à alta sociedade.

Para viajar sabendo: Natural da Espanha, Buñuel foi exilado durante a Guerra Civil Espanhola, passando por vivências na França, nos Estados Unidos e, finalmente, no México, onde vive a partir de 1946.

Como Água Para Chocolate

Essa viagem pela cultura e gastronomia mexicana narra a história de Tita. Filha caçula, uma tradição local a obriga a nunca casar e cuidar de sua mãe até a morte. Porém, ela se apaixona por Pedro, mas o desejo do casal é negado pela matriarca, que sugere que ele se case com uma das irmãs da protagonista.

Para viajar sabendo: O filme tem a Revolução Constitucionalista como pano de fundo, mas sua principal jogada é mostrar o papel que a comida tem na cultura mexicana. Só não espere ver nachos com guacamole na tela, mas sim pratos rebuscados, como codornas ao molho de pétalas de rosas.

7:19 – A Hora do Terremoto

Um filme que busca recriar o clima de tensão que se instaurou na Cidade do México durante o terremoto que destruiu grande parte da metrópole em 1985 – o nome da obra faz referência à hora exata de início dos tremores de terra. Conta a história de dois sobreviventes que ficam presos nos escombros e precisam fazer de tudo para continuar vivos até a chegada do resgate.

Para viajar sabendo: A Cidade do México foi bastante afetada pelo terremoto e muitas pessoas ainda guardam traumas relativos ao desastre. É comum que até hoje os mexicanos deixem a chave de casa sempre na porta, facilitando a saída em casos de emergência. Nas ruas, há também muitos locais marcados como pontos de encontro, que devem ser usados durante evacuações.

E Sua Mãe Também

Outro filme de Alfonso Cuarón aqui. Dessa vez, quem entra em cena é um autêntico road-movie que mostra o processo de amadurecimento de dois adolescentes em uma viagem. As paisagens mudam junto ao sentimento dos jovens Julio (Gael García Bernal) e Tenoch (Diego Luna), de 17 anos. A confusão da cidade grande, a aridez do interior e o beleza das praias estão presentes também nos conflitos internos dos personagens e em sua relação com Luisa (Maribel Verdú).

Para viajar sabendo:  Assim como em Roma, Cuarón toca na tecla das desigualdades vividas no México, muitas vezes enunciadas através de comentários políticos e econômicos feitos pelo narrador. Dessa vez, as diferenças são marcadas também por contextos geográficos.

Frida

Provavelmente o filme mais famoso de toda essa lista. Difícil encontrar quem não tenha visto ou ouvido falar sobre Frida. A película retrata a vida da artista mexicana Frida Kahlo e seu relacionamento com o também artista Diego Rivera, com quem se casou duas vezes.

Para viajar sabendo: Um dos principais cenários do filme é a Casa Azul, onde Frida viveu durante a adolescência e posteriormente morou ao lado de Diego Rivera. O local é hoje lar do  Museu Frida Kahlo, localizado no bairro de Coyoacán, na Cidade do México – um dos muitos passeios imperdíveis que podem ser feitos na capital mexicana.

Tem mais algum filme para acrescentar nessa seleção? Conta pra gente nos comentários! 😉

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