Os irmãos mais famosos do graffiti brasileiro conseguiram propagar arte de rua no país e se projetar lá fora. A exposição OSGEMEOS na Pinacoteca de São Paulo traz uma enorme retrospectiva dos artistas Otávio e Gustavo Pandolfo, revelando detalhes da juventude inserida no hip-hop, das instalações artísticas oníricas que rodaram o mundo e obras em parceria com nomes como Banksy.

Nascidos orgulhosamente no bairro Cambuci, na capital paulista, os gêmeos Pandolfo poderiam ser confundidos com integrantes do grupo nova iorquino Beastie Boys, mas ao invés de música, estão nas artes desde 1987, pintando os muros da própria casa até chegar a castelos monumentais, como o Castelo de Kelburn, na Escócia, colorido por eles em 2011, na companhia de Nina Pandolfo e Nunca, também brasileiros. 

Com apoio da família desde os primórdios, a dupla criada à base de tintas e brincadeiras de rua se deslumbrou com o universo do hip-hop nos anos 1980, pegando referências de break dance, rap, batalhas de rima, graffiti e bombing, uma tipografia feita rapidamente (e ilegalmente) com spray, que se proliferou em vagões de trem e muros como expressão artística pública. Era comum sua reprodução em roupas, como jaquetas e calças jeans, de quem curtia o estilo musical, fazendo parte de um movimento cultural e underground.

Foto: Brunella Nunes/QCV
Foto: Brunella Nunes/QCV

A exposição OSGEMEOS na Pinacoteca está cheia de surpresas, mas uma delas definitivamente não passa despercebida: um enorme personagem inflável é quem recebe o público assim que entram no edifício. Fato curioso é que, quando crianças, os irmãos fizeram um curso de arte no mesmo local. O bom filho a casa torna, literalmente.

É fácil reconhecer as obras d’osgemeos, impulsionadas por um misto de fantasia, sonhos, experiências de vida, relações afetivas, questionamentos e críticas sociais. Mas é ainda mais interessante acompanhar, em rascunhos, desenhos, telas e objetos, a evolução dos irmãos no processo artístico. Podemos conhecer outros estilos de pintura e composição, indo além dos típicos personagens amarelos e coloridos da dupla. 

Foto: Brunella Nunes/QCV
Foto: Brunella Nunes/QCV

Uma série de esculturas e outras instalações nos transferem para o mundo lúdico erguido a quatro mãos, onde veículos têm rosto e pianos têm uma pista de dança cheia de luzes, com um b-boy em cima da cauda.

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Além de esculturas e intervenções site specific espalhadas pela Pinacoteca, a mostra é composta de sete salas com mais de 1.000 itens pessoais dos artistas, em parte inéditos ou nunca exibidos no país. Um destes é o trabalho realizado em conjunto com o polêmico artista de rua Banksy, da Inglaterra, em 2013: duas telas que representam a repressão e a resistência.

Outro ponto alto é a instalação concebida especialmente para o Octógono da Pinacoteca: uma caixinha de música sobre rodas, inspirada na escultura “O Beijo”, também assinada pelos osgemeos. Elementos mecânicos e elétricos são acionados de forma automática para compor uma melodia, meio confusa e maluca, assim como o trabalho em si. 

Foto: Brunella Nunes/QCV
Foto: Brunella Nunes/QCV
Foto: Brunella Nunes/QCV

Em uma das salas se vê duas telas bordadas, que foram feitas pela mãe deles, Margarida L. K. Pandolfo. Este é um dos trabalhos mais afetivos de toda a mostra, resultado de muitas horas de dedicação materna.

“Somos complementares: um completa o pensamento do outro a todo momento, pois nosso processo criativo é tão natural para nós, que é até difícil de explicar. Parece que existe um fio, vamos sempre estar conectados, mesmo quando estamos longe um do outro. É um vínculo eterno” 

– osgemeos, em seu site oficial
Foto: Brunella Nunes/QCV
Foto: Brunella Nunes/QCV
Foto: Brunella Nunes/QCV
Foto: Brunella Nunes/QCV

Outras mostras da Pina

Indo além da exposição OSGEMEOS: Segredos, vale a pena conhecer as demais obras do acervo da Pinacoteca de São Paulo, que é incrível, reunindo grandes talentos brasileiros como Tarsila do Amaral, Victor Brecheret, Anita Malfatti, Almeida Júnior e Candido Portinari.

Também está em cartaz a mostra “Véxoa: nós sabemos”, marcada pela arte de grupos indígenas, sob a curadoria de Naine Terena. Trabalhos de nomes como Ailton Krenak, Coletivo Huni kui Mahku e Yakunã Tuxá nos convidam a enxergar questões étnicas, ambientais, culturais e ancestrais, revelando ainda a importância de ter mais representatividade dentro de espaços museológicos.

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Essa aproximação enriquece a arte brasileira, fortalece o ativismo e afasta estereótipos dentro e fora do campo cultural. É uma satisfação ver a Pinacoteca da cidade ampliando e fortalecendo as vozes do Brasil. 

Foto: Brunella Nunes/QCV

Vai lá!

A exposição OSGEMEOS na Pinacoteca de São Paulo, com curadoria de Jochen Volz, fica em cartaz até 03 de maio de 2021, com aberturas de quarta a segunda, das 10h às 18h.

A venda de ingressos está sendo liberada apenas às sextas-feiras, sempre para visitação nos sete dias subsequentes, em razão das limitações da pandemia. Valores de R$ 0 a R$ 25*. Vendas on-line neste link.

Tome nota: Menores de 10 anos e maiores de 60 são isentos de pagamento, mas devem reservar os ingressos no site e comprovar a idade ao chegar no museu. Aos sábados, a entrada da Pina também permanece gratuita para todos mas é preciso reservar pela internet.

Foto: Brunella Nunes/QCV

O tempo de permanência no prédio é de uma hora. O uso da máscara e a medição de temperatura corporal são obrigatórios. As visitas guiadas para grupos estão temporariamente suspensas. Quem não puder comparecer pessoalmente pode ver tudo no vídeo abaixo, com a vantagem de ter osgemeos como guias: 

Foto: Brunella Nunes/QCV
Foto: Brunella Nunes/QCV
Foto: Brunella Nunes/QCV

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