A natureza está sempre rodeado por mistérios e misticismos. Parte deles se concentram na Dolina Milagrosa, no Mato Grosso, que como sugere o nome, era um lugar de cura para enfermidades de escravos fugitivos da Fazenda Jacobina, produtora de charque e açúcar no século 19. Era como se suas águas ora azuis ora esverdeadas servissem de “batismo” para uma nova vida, sem debilidades e sem abusos.

A teoria é confirmada por historiadores, mas como toda boa lenda, é difícil saber a veracidade dos fatos. Outra delas afirma que um meteoro atingiu a região, formando a erosão circular da piscina natural que, até hoje, não tem fundo. Moradores e guias dizem que os mergulhadores já chegaram a 180 metros de profundidade e não encontraram seu fim.

Foto: reprodução/autor desconhecido

A deslumbrante lagoa fica na zona rural do município de Cáceres, a 220 km de Cuiabá, conhecida pela pesca esportiva, mas com muitos outros atrativos turísticos a serem explorados. A Dolina Milagrosa está entre os que mais despontam no interesse do público, que pouco a pouco vai chegando para se encantar de perto.

Porém, para mergulhar em suas águas tranquilas, é preciso estar disposta. A jornada começa de carro, ao longo de 18 quilômetros de estrada, parcialmente de terra, que leva até a propriedade particular. Depois existe uma trilha de 1.550 metros, somada a mais 154 degraus que levam ao poço no meio da mata. E se descer, saiba que terá de subi-los na volta!

Foto: Francisco Alves/GCom-MT

Todo o esforço é recompensado ao se avistar esse pequeno oásis, que por estar dentro de uma fazenda, conta com infraestrutura para receber os turistas. Há um quiosque e um restaurante, que oferece não apenas refeição como aluguel de equipamento de stand up paddle ou para flutuação. O valor de ambos em conjunto é de R$ 70,00. Quem quiser pode se hospedar em um dos quatro apartamentos disponíveis ou optar pelo Day Use, que também dá direito ao uso da piscina artificial.

Na Dolina Milagrosa existe também uma gruta, onde recentemente foram descobertas pinturas rupestres, motivo esse que fez a mesma ser interditada para estudos científicos. O local provavelmente serviu para acolher escravos em busca de liberdade.

Chico Valdiner/GCom-MT

Como nem tudo são flores, muitos comentários na internet alertam para dois problemas: a falta de segurança e ausência primeiros socorros. Pela dificuldade de acesso, a trilha não é segura, podendo haver quedas ou machucados ao longo do percurso. E não há quem faça qualquer tipo de resgate se for necessário. Ou seja, os visitantes devem estar cientes de que estão por sua conta e risco. Redobrar os cuidados é fundamental.

A histórica Fazenda Jacobina, fundada em 1769, já foi uma das mais ricas do Estado. Hoje funciona como um museu e restaurante de delícias regionais, abertos ao público. O atual proprietário divide com as pessoas os causos e curiosidades do local.

Foto: Edson Rodrigues/Sedec-MT

Cáceres é conhecida como “Princesinha do Paraguai“, devido o rio que passa pela cidade, atraindo turistas com os barco-hotéis, embarcações parecidas com cruzeiros, porém bem mais simples. Nas margens do principal braço fluvial da região estão outras pousadas, hotéis e chácaras, além de balneários e praias de água doce.

No Mato Grosso, uma pousada flutuante para chamar de sua

Um pedaço do Pantanal também se encontra no município, chamado de Reserva “Ecológica Taiamâ” considerado Patrimônio da Humanidade e Reserva da Biosfera pela Unesco, além de cachoeiras, cavernas, grutas, trilhas e fazendas centenárias. A Transpantanal, rodovia que tem 130 quilômetros de extensão, chegando na fronteira entre Brasil e Bolívia.

Onça pintada é uma das moradoras da Reserva Taiamã, em Cáceres. Foto: Daniel Kantek/ICMBio

Quando ir

Assim como tudo na natureza, a Dolina Milagrosa também está suscetível a mudanças. A coloração azul e maior visibilidade da água acontece quando não há muitas chuvas. O período mais recomendado para ir é de setembro a novembro ou março a maio.

Confira opções de hospedagem em Cáceres

Como chegar

A Dolina Milagrosa fica entre Cáceres e o município de Barra do Bugres, na Serra das Araras. De carro, pegue a MT-343 até a altura do Balneário Piraputanga. Clique aqui para alugar um automóvel em Cuiabá!

Foto: divulgação/Campus Cáceres

Pega esse visual: lagoas e lagos maravilhosos ao redor do mundo para incluir na sua lista

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *