Quando eu descobri que esperava uma criança, meu mundo pareceu desabar. Não estava nos planos ter um bebê quando eu tinha acabado de entrar na faculdade, no novo emprego, mas eu precisei me adequar. A maternidade pra mim sempre foi algo desejado, só não imaginava que viria tão cedo, no entanto eu percebi que me tornar mãe não era o fim de uma era, mas sim um recomeço.

Como uma pessoa agitada e comunicativa, nunca quis ficar trancada em casa conversando com as paredes – a não ser agora que ando cansada demais para fazer qualquer coisa, risos – por isso eu sempre passeava com a Clara desde muito bebê. Nossa primeira viagem aconteceu quando ela tinha apenas 04 meses de idade ainda e foi uma das melhores coisas que pude fazer por mim e por ela.

Desde então não paramos, foram aventuras atrás de aventuras e estamos sempre em busca de mais! No entanto, como ela é ainda só um bebê, precisamos tomar alguns cuidados para que ela não se canse demais, ou fique doente e não se alimente direito. Por isso hoje, eu vim contar como eu adapto a rotina da Clara durante as viagens para não impactá-la de forma negativa.

Pré viagem

Antes de viajar eu gosto sempre de conversar com ela e explicar um pouco sobre a cidade destino. Se for um lugar de praia, ela já fica cheia de expectativas por que praia é uma das grandes paixões dela, mesmo que ela seja ainda muito novinha. Mas eu gosto de falar mesmo um dia antes da viagem e a convido sempre para arrumar as malas comigo, ela participando da arrumação fica super empolgada e nós ficamos mais próximas também.

Confira dicas de como arrumar a mala para viajar com crianças!

Durante a viagem

Antes de comprar as passagens eu sempre avalio quais são os melhores horários de saída e chegada na cidade destino, principalmente levando em consideração a saída e chegada de casa com ela, ou seja, sempre busco passagens com horários mais confortáveis. Em nossa última viagem, para Brumadinho/MG eu estava muito preocupada com o horário de embarque, nós saímos do Rio de Janeiro à noite e estava caindo um pé d’água, minha mãe ficou super preocupada, ainda mais por ser uma estrada que eu não conhecia ainda, mas acabei optando pelo horário da noite, mais precisamente às 23h59min para que ela pudesse dormir boa parte do percurso – ela já chegou na rodoviária dormindo – a única questão disso é que na parada no meio do caminho eu preciso descer com ela no colo – dormindo – para ir ao banheiro, comprar algo para beber, então é sempre um dilema, mas não confio de deixá-la nas mãos de estranhos, então aprendi a fazer malabares com ela no colo.

Eu sempre levo também uma bolsa extra com biscoitos que ela gosta, água e compro suco gelado na parada do caminho. Além de algumas balinhas para distraí-la caso ela acorde.

Uma tática infalível também para mantê-la menos irritada em viagens longas é montar um arsenal de desenhos e estar com a bateria do celular em 200% para que ela assista aos seus episódios preferidos. Isso tudo para que ela curta a viagem sem se estressar.

Quando fomos à São Paulo, na ida ela foi dormindo quase que a viagem inteira, mas na volta ela chorou bastante, pois pegamos um ônibus durante a tarde e ela estava acordadíssima! Na volta de Belo Horizonte ela também ficou muito irritada, querendo água e como eu acabei me atrasando na hora de pegar o ônibus, não consegui abastecer com antecedência nossa bolsa de mantimentos e ela ficou muito estressada, a sorte que uma senhora no ônibus nos cedeu sua garrafinha.

Em Búzios

Sono

Em 2017 eu descobri, que o nosso limite de dias em um lugar são 5 dias, mais do que isso ela já começa a ficar bastante estressada. Ela dorme muito pouco em casa – geralmente dorme 23h e acorda às 7h para ir para creche e não costuma dormir à tarde – e nas viagens não é diferente. Ela fica bastante agitada tentando conhecer e pescar todo mundo e todos os detalhes, então às vezes sou obrigada a nos forçar a dormir mais cedo ou fazer passeios mais leves.

O bom é que quando estamos viajando e passeando, ela se cansa muito rápido – ohh menina para ter energia – e acaba apagando com a mesma rapidez quando chegamos ao hostel, ou antes até…Basta só entrar em um carro que ela desaba.

Alimentação

A alimentação é algo que eu tento ser rígida e flexível ao mesmo tempo. Parece contraditório, não é? Mas por exemplo, em algumas situações será inevitável que ela coma algum doce ou beba refrigerante. Quando fomos a São Paulo, nos bares e restaurantes de lá não existe guaraná natural – e ela adora beber isso! – muitas vezes nem a opção de suco natural eu encontrava então precisava ser um pouco maleável, mas não abria mão de comermos comida. Arroz, feijão, carne e etc…No café da manhã, eu sempre faço com que ela coma pelo menos um pão e tome um copo de achocolatado.

Quando viajo sozinha como macarrão instantâneo e hambúrguer a balde, mas com ela não posso me dar ao luxo de gastar pouco e me alimentar mal por que ela come o que eu estiver comendo.

Ela nunca tomou mamadeira, então durante muito tempo quando viajávamos, ela só mamava no peito, o que me economizou peso para carregar e dinheiro. Mas agora que ela desmamou não posso evitar, tento seguir à risca a rotina de alimentação de casa por que se não, quando voltamos ela está toda rebelde não querendo almoçar, nem jantar.

Em nossa viagem para Brumadinho nós pegamos o ônibus das 16 horas com previsão de chegada ao Rio às 23h. Era muito tempo para que ela ficasse comendo biscoitos e balas, então na parada que fizemos no meio do caminho, em vez de comprar um lanche eu comprei macarrão à bolonhesa e comemos dentro do ônibus. Depois eu fiquei pensando: “Nossa as pessoas devem estar me odiando por conta do cheiro do macarrão”, mas eu não podia fazer nada. Era isso, ou ela ficaria com fome até chegarmos ao Rio. Ela comeu metade da quentinha e depois dormiu feito um anjinho.

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Saúde

Eu sou bem enjoada no sentido saúde da minha filha, e ela é difícil de ficar doente – graças a Deus! – mas às vezes é inevitável pegar uma gripe ou resfriado, por isso eu cuido sempre de mantê-la bem agasalhada, caso seja um lugar frio. Ou evito ficar muito tempo na praia, por exemplo.

Eu lembro de um Carnaval que passamos em Arraial do Cabo que minha família quis ficar na praia o dia inteiro e eu acabei deixando-a no guarda-sol sozinha, com direito a piscina e tudo, como eu havia levado todos os aparatos para mantê-la segura, acabei ficando muito exposta ao sol e fiquei com uma febre de matar quando chegamos em casa.

Quando eu falo de saúde, eu não penso só na dela. É importante que eu esteja bem também para aguentar o tranco de ficar tomando conta dela 24 horas por dia, por isso o cuidado precisa ser sempre redobrado.

Antes de viajar, eu sempre dou uma passada no posto de saúde também para averiguar se ela está com todas as vacinas em dia.

Empatia

Eu não sei se foi sorte, mas em todas as viagens que fizemos só nos deparamos com pessoas de boa índole, empáticas e que estavam sempre dispostas a nos ajudar. Talvez elas estavam tão predispostas a ajudar devido ao fato da Clara ser uma criança doce e simpática, ou talvez a Clara seja tão doce assim por conta das pessoas que a cerca.

A verdade é que, em todas as viagens nos demos muito bem com as pessoas que nos relacionamos. Seja os funcionários das empresas das quais tivemos contato, os amigos que fizemos pelo caminho, ou os estranhos que de alguma forma se encantaram com o sorriso dela. Isso me deixa encantada toda vez que viajamos, a facilidade que ela tem de fazer amigos.

Importante:

Eu gosto também de levar coisas que a remetam ao conforto de casa, como as pelúcias que ela dorme, a coberta preferida, um pen drive com os desenhos favoritos, e ligo frequentemente para minha mãe, já que elas são muito agarradas. Tudo isso para que ela sinta cada vez menos o impacto de estar longe de casa.

Pós viagem

O pós viagem é sempre um drama, não queremos ir embora, as pessoas que conhecemos não querem nos deixar ir, mas uma hora precisamos voltar para a casa. E ela volta toda feliz ansiosa para contar para a avó como foi o passeio e tudo o que ela conheceu.

Quando fomos a praia e a cachoeira pela primeira vez em uma viagem, ela falou disso uma semana inteira.

E agora quando eu viajo sem ela, ela fica me mandando mensagens de voz no celular perguntando por que não a levei com a voz chorosa.

Viajar com ela é sempre uma delícia. Eu preciso estar sempre bem-disposta e acabo gastando um pouco mais do que gasto quando vou sozinha, mas com toda certeza, eu volto bem mais feliz!

E vocês, como vocês lidam com a rotina da criança durante a viagem, possuem alguma dificuldade de se readaptarem quando voltam para casa? Conta pra gente aqui nos comentários as suas experiências.

Texto e imagens por Camila Santos

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