O barulho que ecoa entre os labirintos das cavernas deu origem ao nome do Parque Estadual de Terra Ronca, em Goiás. O patrimônio natural esconde inúmeros atrativos naturais subterrâneos, além de belas cachoeiras e rios cristalinos.

Localizadas dentro do complexo do parque, que abraça 57.000 hectares de área, as curiosas formações calcárias foram esculpidas naturalmente a cerca de 600 milhões de anos atrás, sendo algumas delas com pinturas rupestres em seu interior.

São 200 cavernas “secas” e outras 60 “molhadas”, neste caso, cortadas por um rio. Mas apenas 17 delas são abertas ao público, enquanto outras 49 permitem a entrada exclusiva de pesquisadores. Ainda assim, dá para se encantar bastante!

O PETER é um dos maiores complexos de cavernas e grutas da América Latina

Foto: divulgação/Prefeitura de São Domingos

O que visitar no Parque Estadual de Terra Ronca

Com lanterna em mãos, os guias especializados conduzem o passeio entre os dramáticos salões decorados com estalactites e estalagmites, lanças no teto ou no chão que surgiram com a partir do gotejamento ao longo do tempo. Águas translúcidas e mornas forram parte da superfície, deixando o visual ainda mais deslumbrante.

A caverna mais visitada é a Terra Ronca, dividida em duas partes após um desmoronamento. Tem 96 metros de altura e salões amplos, que abrem caminho até o outro núcleo através do rio da Lapa. Uma dolina de 80 metros de altitude, semelhante a um cânion, se abre para acolher araras, que adoram esses esconderijos.

Dentro do parque também está uma das maiores cavernas do Brasil, chamada Angélica, acessada por meio de uma praia fluvial. Em seus 14 quilômetros de caminhada, que podem exigir uma pernoite do visitante ali dentro, estão cenários surreais de tão bonitos. O fluxo do rio de mesmo nome passa por salões, espelhos e cortinas, como numa nobre mansão.

A terra “ronca” devido ao rugido dos rios que atravessam as cavernas, e do barulho das cachoeiras que despencam em suas entranhas.

Foto: Ministério do Turismo
Foto: Ramiro Terra Ronca

Uma fenda estreita abre caminho para a caverna de São Mateus, que resguarda dentro de si inúmeros detalhes que parecem ter sido esculpidos à mão como o altar de uma grande catedral. O visual ornamental é realmente uma das coisas mais lindas guardadas neste vasto Brasil.

Os aventureiros guardam as energias para encarar a caverna de São Vicente, acessada por meio de rapel. Além de radical, a antiga formação rochosa é também a casa de um raro fenômeno: consegue a proeza de formar 12 cachoeiras internas com as águas de seu rio.

A estimativa de preço para os passeios, sempre com guia, é de R$ 100 cada, mas o valor varia de acordo com o tamanho dos grupos formados. Ou seja, quanto mais gente participar, menor fica o investimento individual. É uma viagem que exige tempo e disposição, visto que o ideal é conhecer uma caverna por dia e cada percurso exige um bocado de esforço físico.

O PETER conta com sete das maiores cavernas brasileiras, chegando a ter mais de 24 km de extensão em um de seus caminhos subterrâneos

Caverna São Mateus – Foto: Marcelo Pelegrino/Prefeitura de São Domingos

A região, que faz divisa com a Bahia, reúne paisagens típicas do cerrado e da Serra Geral de Goiás, união essa que se assemelha àquela descrita por Guimarães Rosa no clássico da literatura brasileira “Grande Sertão Veredas”.

Na imensidão da unidade de conservação vivem muitos animais selvagens, como raposas, lobo-guará, macaco-prego e ema, além de espécies ameaçadas de extinção, as onças pretas e pintadas.

Indo além do peculiar mundo subterrâneo que proporciona, os turistas podem banhar-se em belíssimas cachoeiras de águas mornas da região. Entre as opções se destacam a cachoeira do rio São Bernardo, a cachoeira das 7 quedas, a cachoeira do rio Palmeiras e a cachoeira do Sabath.

O ideal é sempre realizar os passeios com guias turísticos licenciados, garantindo mais segurança ao longo das jornadas na natureza.

Foto: Marcus Brandão

O município de São Domingos, a 45 km da entrada do parque, é o ponto de chegada e partida para as expedições. O povoado conta com o mínimo de estrutura para receber os visitantes, reunindo pousadas, restaurantes e comércios. E tem seus próprios atrativos turísticos, como o lago São Domingos, o Morro do Moleque e a fazenda Colinas, onde há prática de rapel e um sumidouro.

Outra cidade-sede do Parque Estadual da Terra Ronca é Guarani de Goiás, também a 45 km de distância do complexo de cavernas.

Foto: Ramiro Terra Ronca

Onde ficar

Foto: divulgação/Pousada Portal da Terra

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