Uma das coisas mais legais de viajar é se aproximar da cultura local. E para aproveitar ao máximo este contato, reunimos aqui 5 maneiras de praticar o turismo comunitário e viver novas experiências. Se você ainda não sabe o que isso quer dizer, calma que a gente te explica.

O Turismo de Base Comunitária, reconhecido pelo Ministério do Turismo, visa contribuir com o desenvolvimento das comunidades, aproximando os viajantes de sua história, cultura, ambiente e costumes. Assim se gera uma rica troca de experiências com quem vive no destino, além de proporcionar a geração de emprego e renda, seguindo os princípios da economia solidária (que valoriza o ser humano e não o dinheiro). Muitas destas ações vão de acordo com práticas sustentáveis, o que auxilia também o nosso planeta.

São muitas as maneiras de contribuir para tal prática, que evita a exploração das pessoas e a destruição do meio ambiente. Participar de atividades junto aos moradores, conhecer a gastronomia por meio de refeições servidas em suas próprias casas, aprender novos idiomas com refugiados, passar dias em aldeias indígenas e ecovilas, e fazer tours ao lado de locais são coisas que fortalecem a sua bagagem cultural e tornam sua viagem inesquecível.

A maioria dos passeios é administrada por ONGs, projetos sociais e associações de moradores, e não necessariamente por operadoras de turismo. Procure ir “direto na fonte” para evitar fraudes e desvios.

Em passeios

A melhor forma de fazer passeios e tours durante viagens é tendo contato com a população local. Existem várias formas de praticar o turismo comunitário desta forma, como por exemplo, abraçando projetos da própria comunidade e até mesmo fazendo caminhadas com moradores de rua. Isso existe não só no mundo todo, como também no Brasil. Em São Paulo, o Sesc oferece diversos roteiros turísticos com foco social e cultural pelo Estado e pelo país. Os preços são ótimos!

Para citar apenas alguns casos, no Rio de Janeiro tem o Favela Tour, que já falamos aqui. Na Chapada Diamantina, Bahia, é possível fazer roteiros turísticos com as Trilhas Griô, da Associação Grãos de Luz, que misturam hospedagem em comunidades quilombolas e assentamentos, com banho em rios e cachoeiras, oficinas para fabricação de produtos artesanais, rodas de conversa e apresentações culturais.

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Na Amazônia é comum que indígenas, pescadores e ribeirinhos realizem passeios. A operadora de ecoturismo Estação Gabiraba é de base comunitária e atua em parceria com moradores da região amazônica para organizar roteiros e atividades.

 

Em hospedagens

Por meio de uma simples escolha, acredite, você já pode contribuir com projetos sociais. Em Colombo, próximo a Curitiba, a equipe do Quanto Custa Viajar se hospedou no hotel Estância Betânia, que gera empregos para a comunidade carente local, com lucros revertidos para projetos sociais. Segundo a instituição, foram mais de 94 mil atendimentos com foco na educação de crianças, projetos comunitários e de capacitação profissional de jovens e adultos somente em 2014

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Já no Sul do país, é possível se hospedar na Acolhida na Colônia, em Santa Catarina, mantida por 180 famílias de agricultores. Com foco em turismo rural, a associação propõe não só uma noite num lugar tranquilo, mas a aproximação com o campo, trazendo a oportunidade de conhecer cultivos orgânicos, degustar delícias caseiras, verificar a criação de animais, comprar produtos artesanais e fazer passeios a cavalo. Em Santa Rosa de Lima, a pousada Cantinho da Família tem diárias de R$ 80 a R$ 110 por pessoa, com pensão completa.

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Em Cariri, no Ceará, a renda familiar ganha fôlego com a Fundação Casa Grande, projeto social focado na educação de crianças e adolescentes do sertão local. Os visitantes ficam hospedados em pousadas administradas pelos pais das crianças assistidas. Além de encontrar hospitalidade a um preço acessível (cerca de R$ 70 por noite com pensão completa), é possível agendar passeios que inclui o Museu Luiz Gonzaga, fazendas e gráfica de cordel, além de visitar a loja e o restaurante da Casa Grande.

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Outra opção bem bacana, fora do Brasil, é o hotel de luxo Magdas, em Viena, que emprega refugiados israelenses, palestinos, haitianos e sírios, gerando emprego e moradia, pois estes vivem em casas ao lado do empreendimento. Além de ter acesso a quartos de luxo, os hóspedes acabam tendo contato com outras culturas.

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Em programas especiais

Você já deve ter visto alguns programas especiais oferecidos por agências de turismo, que incluem não só uma viagem, mas um intercâmbio cultural nos mais diversos destinos. Muitas vezes eles aproximam os turistas da comunidade e acabam a ajudando financeiramente.

Já imaginou viver como um índio? No Brasil ainda existem aldeias indígenas que resistem ao tempo e proporcionam vivências a turistas. O povo Pataxó, concentrado em 31 aldeias na Bahia, oferece palestras interativas, rituais, arremesso de arco e flecha, culinária tradicional, caminhadas na mata, contação de lendas e histórias à beira da fogueira, banho de rio, dentre outras atividades. Para dormir, o visitante tem direito a uma rede em um quijeme (oca).

O mesmo acontece no Território Indígena do Rio Gregório, no Acre. Além de ter uma verdadeira imersão na floresta acreana (porque sim, o Acre existe), é possível ter uma aproximação da cultura do povo Yawanawá, passando pelas aldeias Matrixã, Amparo e Mutum. O contato direto por ser feito através da Associação Sociocultural Yawanawá.

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Outra ideia bacana é conhecer ecovilas. Uma das mais conhecidas do Brasil é a Piracanga, na Península do Maraú – Bahia. Sem energia elétrica (somente solar), a comunidade sustentável tem vários cursos e retiros para quem deseja se aproximar de um estilo de vida em harmonia com a natureza. Os chalés que acomodam visitantes são fonte de renda para quem trabalha dentro da ecovila.

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Em atividades típicas

Para se aproximar da cultura local, que tal participar de atividades típicas ou se inscrever em oficinas ministradas por alguém da comunidade? No Vale do Jequitinhonha (MG) é possível pintar muros com tinta extraída da terra e fazer aulas de cerâmica com o projeto Raízes Desenvolvimento Sustentável.

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Em Paraty, no Rio de Janeiro, a comunidade quilombola Campinho da Independência cria roteiros que reúnem natureza,  história, cultura, arte e gastronomia do quilombo. É possível visitar o viveiro agroflorestal, a casa de artesanato, os núcleos familiares e a casa de produção de farinha. Também dá para participar da oficina de cestaria e participar da roda de jongo, que mistura dança e tambores. Para finalizar o dia, o restaurante serve um delicioso almoço caseiro.

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Aprender uma nova língua com a ajuda de refugiados tem ganhado força ao redor do mundo e no Brasil, gerando renda para imigrantes que tanto necessitam de oportunidade. Aulas de francês, inglês, árabe e espanhol estão disponíveis em ONGs como a Adus e o Abraço Cultural.

Em lugares administrados pela comunidade

A escolha do destino também facilita o acesso ao turismo comunitário. Claro que em grandes cidades fica difícil encontrá-lo, mas os arredores sempre resguardam lugares administrados pela própria comunidade, aí não tem erro. Exemplo disso é Caetanos de Cima, a 210 km de Fortaleza. Uma das praias mais belas do Ceará, é deserta, tranquila, rodeada por dunas e lagoas, e com infraestrutura que não inclui hotéis ou resorts, mas sim pequenas hospedarias e dois restaurantes, todos comandados por moradores, que somam 46 famílias. O que eles arrecadam acaba ajudando a economia local e projetos sociais, como na formação de jovens guias turísticos da Rede Tucum.

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Reserva Mamirauá, no Amazonas, é Patrimônio Natural da Humanidade e totalmente administrada pelos locais. Sustentável, a única opção de hospedagem é a Pousada Uakari, que gera renda e incentiva a preservação de recursos naturais. As trilhas e os passeios de canoa são feitos pelos moradores, incluindo paradas nas comunidades ribeirinhas e conversas com pesquisadores do Instituto Mamirauá.

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Post por Brunella Nunes
Fotos: divulgação

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